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domingo, 30 de novembro de 2008

Frase

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Sou apenas um caos no meio de gente triste.

Metafísica do Chiado




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France Gall - Les Sucettes - 2008 Edition







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No mês da morte de Mário Cesariny de Vasconcellos, um mesmo texto

Morreu este mês há dois anos, mas isso é puramente emocional, porque definitivamente entrou naquela faixa da Eternidade, onde o Tempo já parou.
Este texto, cujas muitas voltas o levaram à edição na Suíça, é, evidentemente, dedicado ao João, que, comigo, então o concebeu, "un cadavre-exquis", numa noite de sombras e álcool a rasgar os tectos, defronte de uma janela alta, com um bosque vastíssimo, pela nossa frente, os meus lugares secretos. E é sobretudo dedicado ao Mário, o maior, de um tempo de infindáveis figuras rastejantes.
Que pena nunca se terem lembrado de ti para o "Nobèle", mas não eras cómodo, sabias escrever, coisa imperdoável, e REALMENTE estavas vivo, o que é, de facto, gravíssimo, neste miserável tempo que nós atravessamos.
Luto Directo, nos Quatro Elementos: a Terra e a Água e o Fogo e o Ar
“Cadavre Exquis”, in memoriam Mário Cesariny de Vasconcellos
No Princípio, era um osso calcinado, mas calcinado em branco, de todas as voragens dos séculos das dunas, e das superfícies extremadas, e impossíveis, do polimento dos sóis desérticos, e de todo o espelho ardente do Astro, totalmente abismado de Luz. E era então a Idade do Crómio, com um frágil deambulador lançado pelas encostas semicerradas de olhos, e afogado na impossibilidade das sensações do Reflexo, todo, e do Esplendor. E este foi o Primeiro Momento.

O segundo sortilégio era uma Falsidade: o seu Nome escondia-se por detrás de uma Fachada-Legião, a ordenar os muitos volúveis rostos do Mar, e nas ondas, e nas areias, e nas divindades ctónicas das pequenas coisas, e nos deuses minúsculos, e também nos que comandavam a Matéria inteira e o Sonho extenso. E um corpo nu, pela Aurora, a desafiar a roda inexorável do Tempo. E este foi o Segundo Momento.
Embriagado de pólen, o besouro metálico ainda ignorava tal destino. E assim cumpriria, antecipado, o ingrato fado do seu próprio fado: meia estação, no seio de um mel amargo, e o ano de trevas da Metamorfose, e os dois curtos êxtases do instante da Procriação, e, logo após, o silêncio do Fim, de novo, e indolor. Pouco tempo, o seu, e sem sequer chegar a conhecer os pausados sabores do Outono. Pois ele jamais saberia que o Amor não passava de uma melancólica preparação para a Morte.

E este foi o Terceiro Momento, mas era ainda o tempo do Mar, e da Luz e da Areia. Era a tarantela mágica, no calor da palha, a emudecer a roda dos receios. Cor contra cor, tarde demais, o escaravelho distinguiria as falsas preces do entorpecer. Sonolento e plácido, ele apenas sonhava com um vago equador de sensações, a brisa solar do meio-dia, e os infindáveis pólenes, cálidos e afrodisíacos, da sua breve deriva estival. Asa de fogo, a tarde cobre-o então. E é então que, hipnótico, o Entardecer também tacteia, e o recomeça a enredar.

Por um momento, a Atmosfera assim irá antecipar, nesse triângulo extremado de luz, todos os matizes do Poente, pois o seu corpo não passa agora de um lugar confuso de esplendores, e dos confusos rumores das sombras, e dos infindáveis jogos irisados do Crepúsculo, fundidos nos clarões rasos de uma tarde devastada.
A Aranha então avança, e já o pólen é negro e a penumbra das pétalas, e, quando o abraço nele esboça, é no conturbado instante, onde se franqueia a linha turva, para lá da qual se semeiam só Silêncio e Medo. Não a chegará a ver, pois é tarde, e já o estreita, num súbito convulsionar. Em vão se debaterá, enquanto, férrea, lhe procura as juntas da couraça, para injectar um mortal veneno.

Como numa cama apressadamente revolta, também a corola se encontra agora desfeita. A luz decai e a dança cessa. Mineral, a tarde inteira avança. E também o besouro se torna ali de pedra, e a Aranha inicia o seu brutal repasto.

Pelas frestas das portadas, eis que surge agora o doce encanto. E este é o Quarto Instante. E eu reconheço a radiante face, que ora se ergue altiva, sobre um negro manto. É a soberana candeia nocturna, a Deusa, que rompe o breu e o silêncio, no seu cúmplice cumprimentar prateado. Ora anseia o fechar do Ciclo, em que desvelará todo o seu esplendor.
Convida-me, Esbat, para a tua Grande Reunião. Sob o olhar atento da Venerável, as crias perscrutam aqui, nas trevas, e correm ao encontro da Progenitora, anfitriã da celebração inteira, e eternizam o selvático êxtase, no momento da devota comunhão.

Eis o astro marginal, minha mãe e amante, sedutora confidente, conselheira indulgente, que me ilumina a Escuridão. E a Lua, no oxímoro da sua esfera escura, recomeça então a erguer-se ao fundo, como outra forma ardente dos astros.

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O texto alargado da entrevista da Maria de Lurdes, Sucateira, ao "Público"


"Maria de Lurdes Rodrigues "Estou cansada como muitos portugueses estão cansados. Não dramatizo"

28.11.2008

Para uns é corajosa e determinada. Para outros arrogante e inflexível. Tem mantido um braço-de-ferro com os sindicatos, mas admite voltar a sindicalizar-se. Para já, a ministra da Educação, que diz que se sente anarquista, tenta ter uma vida normal - ainda que tenha menos tempo para ir aos concertos da Gulbenkian e para fazer o jantar. (Por Andreia Sanches)


Cansada? "Estou cansada como há muitos outros portugueses que estão cansados. Não dramatizo." Arrependida de ter suspendido a vida académica para assumir o cargo de ministra da Educação? "Todas as pessoas têm momentos em que sentem que não têm forças, tudo isso é normal, uma pessoa acha que não vai conseguir e depois consegue, porque vê que tem recursos que às vezes nem imaginava que tinha. Quando fiz o doutoramento, houve tantas vezes em que me apeteceu arrumar os papéis e desistir!" Chegou alguma vez a pedir a demissão ao primeiro-ministro? "Não vou partilhar isso com ninguém."
Maria de Lurdes Rodrigues tem 52 anos, é socióloga, professora universitária, investigadora, independente (nunca se filiou no PS porque "não aconteceu"). E mais? "A vida de uma pessoa não se resume em duas páginas." Um perfil de alguém é sempre uma coisa simplista, continua. Não acha sequer que tenha interesse.
Uma amiga próxima descreve-a como "uma pessoa low profile", com "uma vida normal", que gosta de música, de cinema, de ler e de cozinhar e que separa a esfera privada da profissional. "Há pessoas com quem trabalho há anos e que ainda assim sabem pouco da minha vida", diz a ministra da Educação.
Admite que, apesar do esforço de manter as mesmas rotinas de sempre, algumas acabaram por alterar-se, nomeadamente no último ano, o mais conturbado do mandato. "Não vou ao cinema com a mesma frequência, faço menos vezes o jantar em casa, este ano não consegui comprar os bilhetes para a Gulbenkian", onde não costuma perder a temporada de música. Mas insiste: "Ter momentos da nossa carreira em que fica mais difícil fazer o jantar para os amigos também não me distingue em nada. Toda a gente tem."
Antes avisa: "Só falo da minha vida como ministra." Comece-se por aí.
Reunir no aeroporto
Por regra entra às nove da manhã no Ministério da Educação, na movimentada Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, e às nove da noite está em casa. Raramente faz noitadas de trabalho e, tanto quanto se lembra, houve apenas três ou quatro vezes em que foi necessário manter "as equipas a trabalhar pela noite fora". O que é preciso é que "quando se está a trabalhar se trabalhe mesmo".
Gosta de ir ao Parlamento. Diz que leva muito a sério essa função e que se prepara com cuidado. Lamenta que nem sempre os debates decorram de forma a que a opinião pública faça uma apreciação mais positiva da actividade política.
Recebe muitas cartas, não lê todas, tem uma equipa que faz a triagem. Mas já tem pegado no telefone para falar directamente com professores que lhe escrevem.
Quem com ela tem negociado nota que "não deixa transparecer muito os humores" - palavras de Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais. O homem que foi em diversos momentos o único dos parceiros do ministério a defender publicamente Maria de Lurdes Rodrigues - "com ela, os pais apresentaram um conjunto de propostas que foram atendidas pela primeira vez em 30 anos, como a generalização das refeições no 1.º ciclo", sublinha Almeida - não consegue quantificar as horas de reunião que teve com ela, porque foram muitas. "Até no aeroporto nos reunimos para tratar de assuntos urgentes."
Mesmo nos momentos mais conturbados a ministra "não revela desânimo, nem euforia, diz sempre: 'Vamos ver!'"
Já a comunicação com os sindicatos está longe de ser tão pacífica. Um ano depois de o Governo ter tomado posse, o discurso da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) era bem revelador de uma relação tempestuosa (já tinha havido uma greve aos exames). Comunicado de Junho de 2006: "Os professores e educadores estão fartos dos descontrolados impulsos persecutórios da ministra da Educação e Portugal não suporta mais o seu olhar de medusa." Medusa é uma figura da mitologia grega com capacidade de transformar em pedra o que fixa com os olhos.
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, diz que esta ministra se mostrou menos dialogante do que alguns dos seus antecessores; que por vezes é inflexível; e que se disponibilizou menos para encontros "destinados a discutir questões políticas".
"Provavelmente podia ter feito mais reuniões ou devia ter feito mais - é um balanço que não fiz ainda", admite Maria de Lurdes Rodrigues.
Nas escolas, o clima foi-se tornando mais tenso. A aprovação de um estatuto da carreira docente que criou duas categorias diferentes de professores e o novo modelo de avaliação do desempenho acabaram por resultar numa contestação inédita. O Presidente da República apelou à serenidade. No PS várias vozes criticaram Maria de Lurdes Rodrigues. Publicamente, a ministra mostrou-se, em diferentes situações, exasperada quando questionada pelos jornalistas.
Nos último oito meses, a professora universitária que até Março de 2005 era desconhecida do grande público assistiu às duas maiores manifestações de professores de que há memória. Na última, há menos de um mês, 120 mil dos 140 mil que dão aulas no país saíram à rua. "É má, é má, é má e continua", gritaram.
Nogueira diz que Lurdes Rodrigues "teve demasiadas afirmações infelizes" contra os professores. "Lembro-me de uma frase: 'Antes de um aluno ter abandonado a escola foi abandonado pelo professor.'" E os professores não a desculpam. Mesmo depois de ela ter ido ao Parlamento dizer: "Peço desculpa aos senhores professores por ter causado tanta desmotivação."
A ministra considera que muitas vezes o que aconteceu foi pior do que ser mal interpretada: "Houve um uso ilegítimo do que eu dizia... Pode ser culpa minha, admito. Os sindicatos e alguma imprensa tiveram alguma habilidade em rotular as medidas como sendo contra os professores. Por exemplo: [criar] as aulas de substituição é chamar faltosos aos professores."
Mas os críticos da ministra estão longe de estar apenas nas fileiras da oposição ou dos sindicatos. "Tenho uma longa relação de amizade e colaboração com a Maria de Lurdes Rodrigues e não queria estragar essa relação mais do que provavelmente já está", começa Manuel Villaverde Cabral, 68 anos, investigador, presidente do conselho directivo do Instituto de Ciências Sociais.
"Vai arrastar Sócrates "
Apesar das reservas, continua. "Não se pode ser 'autoritário' com os professores", fazer deles "o bode expiatório do insucesso escolar", ser "'liberal' com os alunos e completamente 'populista' com as chamadas famílias - que, de forma geral, não são capazes nem fazem qualquer esforço para apoiar os filhos no processo de aprendizagem -, quando toda a gente sabe que, em qualquer sociedade, os alunos só têm êxito quando os pais entram com a sua quota-parte de esforço!"
O sociólogo acha que o raciocínio político de Lurdes Rodrigues foi este: "O sistema educativo não funciona; a culpa é dos professores; o castigo será a avaliação!" Resultado: "A carreira dela como ministra não tem salvação. E, como o primeiro-ministro não pode demiti-la, sob pena de perder a face, é ela quem vai arrastar o engenheiro Sócrates para o 'inferno'." Villaverde Cabral, que falou ao P2 dois dias antes de o Governo anunciar que iria rever aspectos da avaliação do desempenho docente, faz questão de sublinhar que esta é a sua apreciação de "analista político".
"Eu?!" - é a resposta espontânea da ministra quando se lhe pergunta se vai arrastar o primeiro-ministro para o inferno.
Depois, recorda o que se passou nos últimos 30 anos ("Uma das marcas da política educativa tem sido a permeabilidade daquilo que é a instabilidade política ou eleitoral, muitos ministros, muitas hesitações, muito pára-arranca.")
Garante que tem o apoio de Sócrates e de todos os colegas do Conselho de Ministros a quem, ainda na semana passada, explicou ao longo de três horas o que se está a passar. Acrescenta que as eleições estão longe. "Estar neste momento a discutir votos não ajuda à resolução do problema."
E acaba com uma confissão: "Tenho que confessar que caí na mesma armadilha... Não sei se é uma armadilha, mas tive a mesma ambição que outros ministros da Educação tiveram que é fazer e fazer rápido. Temos os piores lugares nos rankings do abandono escolar, da qualificação dos adultos, da formação contínua. É uma situação sem paralelo e precisamos de introduzir mudanças de uma forma mais acelerada. Porque temos que apanhar o comboio do progresso. Há este sentido de urgência nos últimos 30 anos na Educação. Parecemos, por vezes, o coelho da Alice: 'Estou atrasado, estou atrasado.'"
Para António Dornelas, professor no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa, instituição onde Lurdes Rodrigues trabalhava quando foi chamada para o Governo, a contestação "atingiu níveis inaceitáveis". Houve ovos - atirados por alunos contra o carro ministerial durante os protestos contra o regime de faltas - "e insultos", lembra. "Mas quem não se recorda dos rabos ao léu em frente a São Bento contra as políticas de Manuela Ferreira Leite?", ministra da Educação no segundo Governo de Cavaco Silva, continua o ex-secretário de Estado do Emprego, antigo aluno da governante.
Assim, "não é verdade que ela [Lurdes Rodrigues] atraia conflitualidade social; é corajosa, competente, rigorosa e comparável, na ambição reformista, a Veiga Simão", ministro de Marcelo Caetano.
"Ela é obsessiva, intransigente, arrogante", contrapõe Fernando Rosas, historiador, militante do BE. Das várias reuniões que teve com ela no mundo académico ficou com boa impressão. "Rigorosa e competente." Agora tem outra opinião. "O princípio da avaliação, por exemplo, é correcto. Mas a forma como o fez foi desastrosa. Não tem perfil político."
Workaholic? Também
"O que tem revelado são características que já tinha antes", afirma, por seu lado, Maria Eduarda Gonçalves, doutorada em Ciências Jurídicas, investigadora do ISCTE. "Muito organizada, muito persistente, muito convicta; já o era nos trabalhos científicos e nas negociações", quando Lurdes Rodrigues presidia ao Observatório das Ciências e das Tecnologias.
"A minha experiência pessoal com ela no mundo académico é a de que trabalha bem em equipa. Não diria que é autoritária - diria convicta, persistente, com uma personalidade muito forte. O que na minha opinião são indicadores de que tem personalidade para resistir até à última."
Tem mesmo?
A ministra diz simplesmente que tem um mandato de quatro anos para cumprir e não se alonga. "Fazem-se análises simplistas: 'Não tem condições, não pode!' Essa análise cabe em primeiro lugar ao senhor primeiro-ministro."
Quando tudo acabar, e regressar à academia, até "pode acontecer" voltar a sindicalizar-se. Porque a sua carreira é a de professora e investigadora. Uma carreira que, diz, começou não se recorda bem como. "Quando tinha 20 anos, achava que podia ser muitas coisas diferentes."
Terá sido mais tarde que decidiu que iria ensinar. Já depois de ter passado por Moçambique, onde trabalhou como cooperante, e de ter terminado o curso de Sociologia em 1984, um ano depois do nascimento da filha (de cujo pai acabaria por divorciar-se).
António Firmino da Costa, sociólogo, colega do ISCTE, diz que Lurdes Rodrigues "era uma professora e investigadora entusiasta e muito bem preparada". Workaholic? Também.
E antes disso? Sabe-se que fez o ensino primário no Colégio de Santa Clara da Casa Pia de Lisboa. Mas aí está um tema sobre o qual a ministra não fala. "Não respondo a perguntas sobre a minha vida privada ou sobre a minha infância."
Maria Alexandre Lousada, doutorada em Geografia, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, conheceu-a já como estudante universitária, depois do 25 de Abril. Encontraram-se na sede do jornal anarco-sindicalista A Batalha. "Achávamos que podíamos contribuir para um mundo melhor." Mas nenhuma achava que um dia ia ter um cargo político.
Também estiveram juntas na Ideia, uma revista anarquista, de cultura e pensamento libertário. "Planeávamos, escrevíamos artigos, levávamos à tipografia, depois íamos com uns molhinhos distribuir pelas livrarias, fazíamos tudo", recorda Lousada.
"Ainda me sinto anarquista"
Lurdes Rodrigues acede a falar desse período do anarquismo - começa por dizer que não fala do passado, mas esta fase faz parte das memórias que já tem abordado nas entrevistas. "Havia uma tarefa que me dava muita paz, que era colar selos e cintas nos jornais ou nas revistas que iam ser expedidos."
Passou muitos fins-de-semana à volta de uma mesa grande a dobrar e colar, dobrar e colar, dobrar e colar. "É uma coisa muito mecânica, não exige nenhum pensamento elaborado, basta ritmo, o que permite fazer aquilo e conversar, contar histórias. É uma actividade desqualificada que mobiliza imenso outros aspectos da relação com as pessoas e essas tardes de sábado ou de domingo a colar cintas no jornal A Batalha e selos na Ideia é um trabalho de que guardo muito boa memória."
Há outros trabalhos manuais que lhe agradam, conta uma amiga. Talhava os seus vestidos. E as bonecas das filhas das amigas têm roupa feita por ela.
Mais tarde, Lurdes Rodrigues trabalhou no Arquivo Histórico-Social, na organização de espólios de diversos militantes anarquistas doados à Biblioteca Nacional. E participou na organização da exposição sobre os 100 anos do anarquismo em Portugal. "Ainda me sinto anarquista." O que é que isso significa? "É ter um quadro de valores, de pensamento que orientam a nossa acção."
Dedicou-se especialmente à sociologia do trabalho, doutorou-se em 1996 e a tese foi publicada em livro (Os Engenheiros em Portugal). No ano seguinte, o ministro da Ciência Mariano Gago convidou-a para ser presidente do Observatório das Ciências e das Tecnologias. O seu trabalho foi muito elogiado. E depois de sair, em 2005, foi sendo chamada a participar em colóquios e debates, ao mesmo tempo que no ISCTE reformulava o curso de Sociologia do Trabalho.
"Ela é uma pessoa que olha para as políticas educativas como um problema que é antes de mais de resultados. Como é que a Educação pode resolver os problemas do país?" Dar resposta a isto "implicava alterar a forma como se olha para as relações laborais dos professores, para as sujeitar à obtenção de resultados", diz Dornelas.
A carta do menino
A contestação não acabou. Esta semana houve mais protestos na rua e há uma greve marcada. "Tem-se dito que não se fazem as reformas sem os profissionais, mas a história ensina-nos que não se fazem com." Pede-se à socióloga do trabalho que explique: "Não gosto de fazer comparações, mas lembro o que foi o processo de reforma da Saúde levado a cabo pela ministra Leonor Beleza. Hoje percebemos que uma parte das medidas foram essenciais para a qualidade do sistema de Saúde. Mas foram incompreendidas na altura pela classe médica."
Actualmente, identifica como ponto crítico "a estruturação vertical da carreira" - o facto de ter passado a haver professores e professores titulares (sendo estes últimos os que assumem os cargos de coordenação e de liderança). "Os professores consideram que todos são colegas e que não há diferenças. Mas há. Mais salário e mais experiência não correspondiam a mais responsabilidade. O que estamos a propor contraria isto. Precisamos que as escolas estruturem o seu trabalho em torno de princípios de maior responsabilização."
Na rua, é por vezes abordada - "umas vezes dão-lhe os parabéns, outras vezes vão dizer que não concordam", diz Maria Lousada. A amiga acha que, apesar do clima que se vive, as abordagens não são excessivas.
Lurdes Rodrigues garante estar aberta a discutir "se a avaliação se faz com esta ou aquela componente mais". Mas entende que "não há razão para suspender o processo". E os dias de tensão vão provavelmente continuar.
Garante, contudo, que também tem tido bons momentos. "Muitos." Pede-se-lhe que partilhe um. "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS.' É tocante.""
Imagem do KAOS
CONFIRA AQUI

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Fernando Cortes Leal - Plataforma e ME: À beira de um (des)entendimento de transição?

O FERNANDO NÃO DEU CONTA DE QUE TÍNHAMOS MUDADO DE ENDEREÇO, E CONTINUOU A PUBLICAR NO "AS VICENTINAS DE BRAGANZA", VÍTIMA DE CENSURA DA MULHERZINHA DO COSTUME. AQUI SE REPRODUZEM OS TEXTOS LÁ PUBLICADOS.

"Temo que a plataforma sindical, deliberada e/ou (pouco) inocentemente, caia em esparrela ou cilada semelhante àquela em que se deixou (aceitou?) aprisionar aquando da assinatura do famigerado memorando de (des)entendimento.

Pergunto-me: O que faz Mário Nogueira freneticamente esgueirar-se em tudo o que é órgão de comunicação social para a anunciar publicamente que os sindicatos têm uma contra-proposta de avaliação de desempenho docente, de carácter transitório, para apresentar à ministra? Os professores já conhecem a tão propalada contra-proposta?

Afinal, o que realmente faz correr Mário Nogueira?

Responda quem souber, mas uma coisa é certa:
Para que se não repitam erros anteriores, entendo que a Plataforma sindical não deve submeter à apreciação do ministério da educação qualquer proposta alternativa de avaliação de desempenho (por muito hiper-simplex que a mesma possa parecer) sem, em primeiro lugar, a DIVULGAR AOS PROFESSORES.

Esta é (deverá ser) uma questão de honra sindical (pelo menos da sua recuperação), cumprindo, por essa via, o desiderato institucional de efectiva e democrática representatividade socioprofissional.

Muitos são, felizmente, os professores que têm opinião formada (ainda que naturalmente fragmentada) sobre tão vital e delicado assunto. Opiniões que, também salutarmente, devem ser entendidas como uma real mais-valia para o debate e para o consenso, o mais alargado possível, a obter em torno das soluções que se venham a encontrar, tendo por objectivos cimeiros a promoção da qualidade das aprendizagens, o efectivo sucesso escolar dos alunos e a eficácia educativa e social da escola pública.

Relembro, porém, que o pressuposto base ( comum e transversal à generalidade dos docentes) para qualquer negociação e desejável entendimento em matéria de avalição de desempenho, resume-se à seguinte tríade de pressupostos e princípios angulares:

(i) Queremos ser avaliados por um modelo que acrescente valor efectivo às nossas práticas profissionais;

(ii) O modelo instituído pelo Decreto Regulamentar nº2/2008 (seja na sua versão original seja nas suas remendadas variantes), não é exequível e deteriora a qualidade da educação pública;

(iii) A pretexto de um hipotético ano de transição tendente a refazer o modelo mãe, não queremos que alguns de nós sirvam de cobaias e outros de singelos observadores mais ou menos (des)comprometidos com o processo.

Em súmula: a indesejável (para mim impensável) sonegação aos professores do modelo de avaliação (transitório ou não) a apresentar pelos sindicatos ao ministério da educação, pode abrir brechas irreparáveis na causa comum que tem vindo a mobilizar, justa e fundamentadamente, os professores contra o modelo arcaico e terceiro-mundista de Lurdes Rodrigues.

Qual é, então, a contra-proposta sindical ao simplex ministerial?

Fernando Cortes Leal"


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O Ego e as Vergonhas de Maria de Lurdes Rodrigues

Ministra37

A ministra da educação revelou o seu mais sólido (e sórdido) argumento para não suspender este modelo de avaliação de desempenho docente. Diz ela:

Parar agora a avaliação dos professores seria uma vergonha.”(1)

Fica, para a história, o registo suficientemente ilustrativo das convicções mais profundas da casta política que nos governa:

Não é porque seja tecnicamente incorrecto, não é porque seja procedimentalmente inexequível e não é porque seja politicamente desajustado. Sabe-se agora, pela voz da sua autora moral, que este modelo de avaliação só não é suspenso porque parar agora seria uma vergonha(!)

O ego de MLR não lhe permite discernir e muito menos optar pelo politicamente mais justo e mais adequado. Prefere, apenas e só, tudo fazer obstinadamente para não se sentir envergonhada e, desse modo, não ferir o seu autista orgulho pessoal.

É preciso ser política e democraticamente anão (anã, neste caso) para se pensar assim; é preciso ter um «egozinho» muito provinciano para se ter vergonha de assumir publicamente o erro de quase todos sobejamente conhecido e reconhecido.

Esta declaração de Maria de Lurdes Rodrigues, faz-me lembrar o maquilhado rubor da virgem noiva, que de há muito já não o é , a caminhar, envergonhada e lacrimosamente, para o santo altar de vestido branco e de flor de laranjeira em punho para que na aldeia de brandos costumes todos consintam com a farsa de todos conhecida.

Triste, triste figura a dos nossos serranos governantes. Afinal, ainda há noivas assim…

* In “Correio da Manhã”, 15/XI/2008

Fernando Cortes Leal

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RANGEL(ices)

(…) Os professores procuram agora envolver crianças, jovens, na sua ‘guerra’. Fogem da avaliação a sete pés. Os filhos dos portugueses, entregues a estes professores, aprenderam nestes últimos dias que não é importante serem pessoas educadas. Em termos mais gerais, percebe-se que o regabofe tem apoios inusitados.” (…) “Que sorte a deste país. Só pode ser governado por trogloditas [Alberto João Jardim] ou poetas traidores [Manuel Alegre]”.

E. Rangel, in “O Correio da Manhã”, 15/XI/08

Não fosse a minha assumida intenção de aqui sumariamente indicar alguns dos actores políticos e alguns dos seus coniventes opinion makers nacionais que política e intelectualmente foram mundialmente ultrapassados pela “Era Obama”, e, garanto-vos, não perderia um minuto com tagarelices e muito menos com “Rangelices” desta pequenez.

Explico-me:

(i) Rangel, nesta sua nova mas vezes sem conta repetida investida, acusa os professores de terem promovido as manifestações de alunos contra os nossos governantes, dispensando-os, para o efeito, das aulas. A pergunta óbvia e natural que se deve fazer num Estado de direito é se Rangel pode provar judicialmente esta sua infame acusação?

(ii) Acusa os professores de promover a má educação dos nossos alunos. Pergunto, quem é mal educado, os professores ou o sr. Rangel que apelida de troglodita o presidente de um Governo Regional e, como se não bastasse esse deseducado acto de desrespeito pessoal, institucional e constitucional, atreve-se a menosprezar o inegável contributo do Poeta Manuel Alegre para a cultura portuguesa, apelidando-o de “Poeta Traidor”, apenas porque, ao contrário do difamador, procura ter, felizmente, pensamento próprio e independente;

(iii) É claro que com caluniadores e colunistas assim, o trabalho dos professores nas escolas é redobrado, porquanto têm de combater a falta de civismo, a indecorosa falta de jeito para conviver com a honestidade moral e intelectual de senhores desta estirpe que à democracia fazem figas e à Constituição da República rogam pragas, pública e politicamente consentidas.

Um conselho, sr. Rangel: inscreva-se e frequente, se possível a tempo inteiro, o programa “Novas Oportunidades”. Recicle-se profissionalmente, e seja mais um dos nossos institucionais promotores de vendas do computador “Magalhães” no terceiro-mundo. Hugo Chavez agradece. Nós também.

Fernando Cortes Leal


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A complexa triangulação do simplex

A simplificação do modelo de avaliação docente tem, à partida, a marca da discórdia e da conflitualidade. A estratégia é de sobrevivência política, menosprezando, assim, qualquer desígnio socioeducativo ou de melhoria do desempenho dos actores da escola pública. Eis, em síntese, o triangular estratagema silogístico de MLR e de Sócrates:

1º- Nas escolas coabitam, de acordo com este absurdo modelo de avaliação, três sub-grupos de interesses profissionais só aparentemente movidos pelas mesmas causas comuns: professores avaliados, professores avaliadores e gestores (Presidentes do Conselho Executivo). Pensemos comummente em voz alta:

1.1- Eu (ministra e governo) quero, a todo o custo, implementar este modelo de avaliação sem sair politicamente beliscado(a). O que posso fazer?

1.1.1- Hipótese 1: Pautar a minha conduta de acordo com os critérios gerais e genericamente aceites de transparência, honestidade e zelo pelo bem comum. Contudo, se o fizer, tenho um preço político a pagar, a ideia (imagem e marketing mediático) de recuo, desistência e cedência. Logo, não o faço. Qual, então, a alternativa?

1.1.2- Hipótese 2: Posso ou não manter intacta a minha imagem defraudando os que politicamente não me são rentáveis (dirigentes sindicais, conselho de escolas, comissões científicas e ‘coisas’ afins)? -Posso? -Posso! - Mas como? A resposta é fácil: deslocalizando a centralidade dos problemas e, aí, instigando o conflito, transformando-o, política e mediaticamente, no epicentro da ‘tal coisa’. Chegados aqui, qualquer secretário de estado mais desatento questionaria: -Excª, como vamos operacionalizar esta teoria de sucesso? (A partir daqui sou eu a responder)

2. Dá-se aos avaliados o que eles querem: têm bom se não quiserem aulas assistidas, ou seja, faz-se por simplificação tácita aquilo que Alberto João Jardim fez por simplificação jurídica “Todos os professores têm, no mínimo, a menção de «Bom»” abrindo as portas para que a discriminação positiva (”Muito Bom” e “Excelente”) se faça não por competência profissional efectiva e colaborativa mas por competitividade individual e tribal;

3. Arrumada a questão dos avaliados, o que fazer para destrinçar e conflituar o protagonismo de avaliados e avaliadores? Resposta óbvia: dispensa-se estes de serem avaliados. Ou seja, na ‘cadeia de comando da avaliação’ dá-se-lhes o papel de mediadores entre Deus e o Diabo, sabendo (ou querendo) que Deus e Diabo nunca almocem juntos. É a separação das águas entre professores (avaliadores e avaliados) sem que, em caso de tormenta ou tsunami, estes transbordem para fora da escolas evitando, assim, que os mesmos, a acontecer, atinjam os poderes de decisão da política nacional. Ou seja, há que tribalizar para governar.

4. Resta o papel ingrato dos Presidentes dos Conselhos Executivos ou dos Directores, porventura o mais difícil. Aí tomam-se vários cuidados tácticos:

4.1- O Presidente/Director não pode estar sujeito à interacção avaliados/avaliadores, pelo contrário, deve supevisioná-la de forma tutelar mas simultaneamente independente. Porém, em caso de conflito grave denunciador de mal-estar nas escolas, como calar ou imputar responsabilidades ao Presidente/Director, transformando-o em bode expiatório de toda e qualquer crise que se prenda com a operacionalização do simplex?

4.2- A resposta é tão óbvia e cristalina quanto o é a má-fé dos pais deste simplex: Os Presidentes do Conselho Executivo prestam contas não há escola e à comunidade educativa local, mas, apenas e tão somente, à tutela governativa, pelo que, para os calar, aplica-se-lhes o SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho na Administração Pública), facto este que significa uma coisa muito simples no actual modelo de direcção e gestão escolares: Os Presidentes dos Conselhos Executivos que não se portarem bem perante o poder discricionário da tutela, não poderão ser reconduzidos ou eleitos para o cargo de Director de escola(!), independentemente de outras perversidades disciplinares que se lhes possam aplicar por incumprimento ou deficiente desempenho profissional.

Claro que muito mais está por explicar. Esta é só uma primeira e curta introdução ao tema.

Fica para já a questão: será que agora perceberemos todos a maquiavélica triangulação que está por detrás deste simplex?

Num dos próximos dias procurarei retomar o assunto.

Até lá, saudações à ministra da educação por ainda não ter sido desta vez que me mostrou ser politicamente hábil e sociologicamente inteligente. Fico a aguardar pela próxima investida.

Fernando Cortes Leal

22.XI.2008 (Versão draft)

Obs: Eis uma sintomática posição do presidente do Conselho de Escolas sobre a avaliação dos Presidentes de Conselho Executivo de acordo com o SIADAP:O presidente do Conselho das Escolas escusou-se hoje a comentar a decisão do Ministério da Educação [avaliação dos PCE com base no SIADAP], ressalvando que “pessoalmente” concorda com a opção. “É o modelo da Administração Pública, o modelo que a ministra da Educação acha adequado. Pessoalmente concordo, enquanto presidente do CE não tenho que fazer comentários”, afirmou Álvaro Almeida dos Santos.” (in “Público Online”, 21.XI.08).

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O Meteorito de Edmonton: não, não foi o Sócrates a cair da cadeirinha, isso será pior...




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O nosso amigo e colaborador, Paulo Pedroso, estreia-se a solo no "Nova Idade Média"

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O tempo é escasso, sobretudo para as pessoas inteligentes, que têm mais em que pensar e actividades múltiplas, para além da Blogosfera. De qualquer modo, a "Nova Idade Média" está aí.
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XVIII Congresso do PCP: não sou Comunista, mas é impossível não ser profundamente Odetista (Cortesia da SIC)



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Cristiano Ronaldo beija a Bota de Ouro. Eu adoro lamber botas de GNR em serviço. Gostos


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A Procuradora Cândida Almeida acordou agora (!) para "estranhos comportamentos" de quem devia investigar...



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A partir de certa idade deve deixar-se de acreditar no Pai Natal. A propósito, não foi esta senhora que deixou o "Processo do Diploma" ir para a gaveta?...

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Cristiano Ronaldo já calça a Bota de Ouro: fica-lhe bem


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Raining morning


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Maria de Lurdes Rodrigues e o Efeito Doppler

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Imagem do KAOS
Ninguém me poderia dizer que, há duas horas atrás, eu viria começar esta crónica nocturna com o Espectro Electromagnético, mas a vida leva tantas voltas que me vou deixando andar.
Antes de mais, um pequeno desvio por um tema que agrada a toda a gente: Maria de Lurdes Rodrigues. Pelo fausto e pelo fado, cruzei-me, esta semana, numa das minhas sete vidas, com alguém que me disse conhecer muito bem a senhora, e ser amiga da família... Falou-me de uma pessoa afável, e eu fiquei de boca aberta, enfim, nem por isso: pus aquela blindagem do tempo em que concorria, no Palácio das Necessidades, para integrar o Protocolo de Estado, e fiz um assentir de cabeça, cordato, diplomático e serenador, de quem concordava com todas as palavras. Sou, de facto, suficientemente polido para poder aceitar todas as opiniões e testemunhos, sobretudo, aqueles que são timbrados na voz da primeira pessoa, e esta era só mais uma, embora no limite do suportável. (Deus me perdoe, até email e telemóvel anotei, para reatar estes extremos da minha boa educação, e cumprir uma função de transmissor: suponho que os embaixadores dos Gregos a Xerxes se tenham sentido exactamente na minha pele...)
De Lurdes Rodrigues, que tutela uma zona fragilíssima das franjas sociais, onde os Valores se constroem e os exemplos têm de ser exemplares, tenho a opinião do comum dos mortais, acrescentada, das minhas outras sete vidas, onde sou forçado a teclar no pantanoso terreno da Filosofia da Educação: que Educação se pode dar a uma juventude que assiste, em directo, a uma face específica do Poder Político, que, sistematicamente, desautoriza o papel do Educador, e mostra que os valores DE CIMA podem ser marcados pela arbitrariedade, pela insolência, pela prepotência, pelo insulto, pela traição e pela pública delapidação?...
Embora não o seja, por vezes, enfio-me na pele do Português comum, e começo a pensar: que exemplo poderá transmitir-se aos filhos, quando a imagem do educador é de tal modo denegrida, e fica patente um Sadismo de Estado, filho de baldes de água de infâncias em Casas Pias, de abandonos de pais incógnitos, de complexos de inferioridade de percursos académicos, já evidenciado em frases que fizeram história, como o "tivémos de fazer algumas "maldades" à Função Pública (!)", por acaso, na boca de alguém que também tutelou o Ensino; de outro que diz que "ou a Função Pública cumpre as leis, ou é "trucidada" (sic.)", isto, já para não falar da célebre frase do miserável Cavaco, quando disse que a solução para a Função Pública era "esperar que morressem todos (!)".
Creio que a Função Pública, neste momento, pensa exactamente o mesmo, desse eméritos cavalheiros.
Quanto a Lurdes Rodrigues, depois do desastre da Entrevista ao "Público", que, como é habitual, não li, logo, estou apto a comentá-la, fica-se por coisas extraordinárias, como o confessar que, por detrás daquela figura com ar de viúva de Gato Pingado, está uma alma "anarquista".... Era frase para fazer de Bakunine um novo Lázaro, mas, e isto é um título entrevisto entre duas cabeças de cabeleireiras tardias, um grande título -- adoro grandes títulos de jornais, porque me deixam antever o que lá está dentro, sem ter de ler mais uma linha... -- onde ela diz que "as pessoas estão cansadas, mas ela também está".
Com o cansaço dela posso eu bem, com o meu... cada vez menos, e o meu cansaço já não se chama cansaço, chama-se "náusea" e chama-se também... "repulsa".
Mas voltemos ao Protocolo de Estado, e ponhamo-nos na pele da senhora. Ela vem das Ciências Flácidas, onde há sempre, como Comte previa, uma Expectativa da "Acção": os cenários são desenhados por grandes fluxos históricos, e subitamente, aparece uma mente iluminada, que, julgo, ela se imagine, e isso até poderia ter algo de Estético, como Borges o antecipa -- o Belo, a iminência de uma revelação (que bem que eu estou a falar hoje...) -- mas o verdadeiro problema não está no que ela, Lurdes, se julga, porque, neste momento, não consigo ver nela mais do que uma figura completamente metralhada, que uma multidão de mãos, por detrás do seu cadáver, usando abusivamente de um desgaste político insustentável, a continua a empurrar para a frente.
Lá me desculparão, mas é contra essas mãos cobardes, bastante mais do que contra Lurdes Rodrigues, que hoje vocifero: são os chamados "peões rotativos", o pedófilo do Trabalho, que lhe dá toda a razão, mais o das Finanças, que nos intervalos dos fedorentos Conselhos de Ministros lhe sussurra, "veja lá, que isso das Avaliações tem mesmo de ir para a frente, porque nós não podemos promover todos os excelentes, mas apenas os Afunilados da Excelência", e mais o Augusto Santos Silva, que finge que dialoga com o Parlamento, mas lhe rosna que "tens mesmo de avançar", e mais os Lindos Olhos da "Mariana", que está a usar o Secundário como laboratório de ensaio para o descalabro em que vai lançar o Superior, e mais o Justino, ex-vereador do Isaltino, e Assessor do Presidente da Bandeira de Croché protegida por uma Marquise de Belém, e o próprio Aníbal, em si, a hipóstase mais acabada do atraso cultural, político, financeiro, económico e social de Portugal.
Neste cenário, Lurdes Rodrigues é uma mera sombra de Teatro Tailandês, e todos devemos solidarizar-nos com o seu afastamento, já que mantê-la no cargo é um típico exemplo da violência doméstica de um Governo que enveredou pelo Alcoolismo Crónico, e bate na mulher, a sua Lurdes.
Quanto ao Doppler, é uma velha história de Hubble, um ignaro a quem ainda não tinham ensinado que o Universo era uma plataforma plana, sustentada nas costas de uma tartaruga, perpetuamente navegando no Oceano Primordial. O homenzinho, que não teve a sorte de frequentar o ISCTE, a "Independente" e as Novas Oportunidades, ainda achava que o espectro das galáxias distâncias, ao afastar-se, se distendia, arrastando um desvio das riscas para o Vermelho... -- olhem, sinceramente, não me apetece dar lições de Astrofísica a esta hora, dirijam-se ao "Google" mais próximo... --, pelo que a Política Portuguesa acabou, com a Crise Mundial, por ser apanhada num Efeito Doppler, ou, sendo mais culinário, imaginem um belo bolo de noiva, muito bem preparado, por camadas, que, de repente, apanha um safanão, e aquilo desliza tudo por camadas, na horizontal, deixando os remoques e alicerces à vista.
O Sr. Sócrates e a sua pandilha, apoiados no Great Portuguese Disaster, instalado em Belém, com o advento da Crise (?) Mundial apanharam com uma coisa semelhante àquelas pessoas que, furtivamente coladas com as paredes, subitamente levam com um holofote em cima, e ficam totalmente a descoberto.
Eu explico: neste vai não vai, do resiste não resiste, da manipulação da informação, dos telefonemas histéricos paras redacções dos jornais e televisões, da afinada máquina de controlo da circulação nos circuitos sociais, a meta era 2009. Até lá, reinava Átila e os seus discípulos; depois, com a validação da Segunda Maioria, começava a Cornucópia da Abundância e as generosidades de um Estado Providência de segundas núpcias.
Teve azar: o Cavaquistão desmoronou-se, através de escroque, chamados Oliveira e Costa, Cadilhes, Dias Loureiro e outros tantos, e as tais fortunas privadas, dos Balsemões e anexos, com porta-vozes do calibre do Júdice -- esse é como Deus: é um horror que está por toda a parte... -- e o Estado viu-se forçado a desbloquear fundos só deus saberá se não já do Último Quadro Comunitário de Apoio, para impedir as Grandes Fortunas de fugirem pelo ralo, enquanto o Português Comum penava com todos os estigmas da Cauda da Europa: Iliteracia, Pobreza, Doença, Má Nutrição, Desfasamento Histórico e Índices de Desenvolvimento Humano indignos de uma das Nações mais antigas da Europa.
Passo a passo, Sócrates está agora forçado a tirar, antes de tempo, os seus fraquitos coelhos da cartola: uma vez, a ameaça de nacionalização da Banca do Branqueamento, outras, com Orçamentos de Desatar a Rir de Chorar, outra, mais grave ainda, com tirar completamente o tapete ao Sistema Financeiro, passando, atrever-me-ia a dizer "estalinisticamente", a distribuir directamente dinheiro a empresas, num estatuto de semi-nacionalizadas.
No meio disto tudo, Portas discursa à PCP, e o Bloco de Esquerda encosta ao Oportunismo, com a sua mais maravilhosa epifania, Sá Fernandes.
Sim, eu sei, leitor, o texto vai longo, sobretudo para mim, que o estou a fazer de chofre, pelo que o vamos deixar por aqui, não sem antes vos dar uma palavrinha de esperança: para a semana ainda será pior...

( Gôndola Lúgubre, no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")

sábado, 29 de novembro de 2008

Para ajudar a sair da crise...



A propósito da crise e dos crápulas e sanguessugas que por aí pululam e estão a devorar descaradamente este país, quer me parecer que se deveriam tomar sérias medidas para diminuir os custos do estado com esta gente e, desta forma, promover a justiça social. A primeira medida seria estabelecer um tecto máximo para as reformas, considerando que o presidente da república aufere 7 mil e tal euros, prebendas à parte, eu diria que 5 mil euros estaria bem. Bom, mas a novidade seria a introdução da reforma única, isto é, se alguém fosse detentor de uma pensão privada apenas receberia do estado o necessário para perfazer os ditos 5 mil euros, se essas pensões ou reformas ultrapassassem esse valor não receberia nada, já que não precisaria. As reformas deviam ser consideradas como ajudas do estado a quem precisa, não como maná para gulosos.
Simplificando, o estado em caso algum pagaria a quem quer que se aposentasse mais do que 5 mil euros, só o fazendo nos casos em que os titulares dessas reformas não auferissem outros rendimentos, caso em que apenas passava a pagar desse valor até ao montante de 5 mil euros. Exemplo, um fulano, recebia de qualquer fonte 3 mil euros mensais, nesse caso, independentemente do que tivesse direito, o estado apenas lhe pagaria 2 mil, ou seja, e clarissimamente, deixava de ter esse direito.
Um estado pobre e em crise, que pede constantemente o sacrifício dos pobres, não deve sustentar burros a pão-de-ló, que é o mesmo que dizer não deve, desde logo porque está visto que não pode, enriquecer ainda mais os ricos. Falar-me-ão em direitos adquiridos, bem deixariam de o ser, nisso igualando a maioria da população que, constantemente, vê os seus direitos adquiridos a deixarem de o ser… Parece-me ser uma medida tão justa como a variação dos abonos de família consoante o rendimento do agregado familiar. Poder-me-ão dizer que é impraticável. Talvez, mas só o é se não houver vontade política para o fazer, já que, de resto, com o desenvolvimento da informática, se tornou na coisa mais simples do mundo.
Como os exemplos devem vir de cima, proponho, aproveitando as palavras do presidente Aníbal António, que o país se una e todos se sacrifiquem para o bem comum que é a solvabilidade do estado, desde logo, que seja o próprio Aníbal António que comece por dar o exemplo, prescindindo de outras remunerações do estado que não sejam as que aufere pelo exercício da sua função presidencial. A partir daí todos os outros iriam a eito, políticos banqueiros, etc, etc.

Reparem bem, nada tenho contra os ricos, apenas penso que, se o são, não devem receber apoios do estado porque não precisam…



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Maria de Lurdes Rodrigues ainda se sente anarquista... Ai, que bom...


Imagem do KAOS

«Ainda me sinto anarquista», afirma a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Em entrevista ao jornal «Público», a governante esclarece o que isso significa:

«É ter um quadro de valores, de pensamento que orientam a nossa acção».

Durante a fase anarquista, diz: «havia uma tarefa que me dava muita paz, que era colar selos e cintas nos jornais ou nas revistas que iam ser expedidos».

«É uma coisa muito mecânica, não exige nenhum pensamento elaborado, basta ritmo, o que permite fazer aquilo e conversar, e contar histórias. É uma actividade desqualificada que mobiliza imenso outros aspectos da relação com as pessoas e essas tardes de sábado e domingo a colar cintas no jornal «a Batalha» e selos na Ideia é um trabalho de que guardo muito boa memória».


EU SEI QUE NÃO ACREDITA, MAS VÁ CONFIRMAR...

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O "Lusitânia Insólita" atribuiu-nos o Prémio do "Blogue Insólito". Obrigado, pessoal, e boa continuação da vossa/nossa luta. :-)


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Vá lá agradecer-lhes AQUI

Banco Alimentar contra a Fome: sim, nós sabemos que você tem pouco, mas há quem tenha ainda menos

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Em Portugal, nem todos os Bancos se chamam BCP, BPN ou BPP, e nem todos têm a sorte de ver os angariadores de milhões virarem-se para os salvarem. É natural, a Fome não paga juros, mas é um dos mais cruéis rostos da Infelicidade. Colabore AQUI.

Congresso do P.C.P.: Como as reviravoltas da História funcionaram como "Tranfusão" para um Partido muitas vezes dado como defunto

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Imagem do "Sol"
O PCP volta a ressuscitar, perante os terríveis atavismos inquisitórios que invadiram Portugal

Negócios de Ricos


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As "Twin Towers" da Península da serenidade de Gandhi


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Dharmachakra


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O Fim do Cavaquismo e os seus funerais de campa rasa

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O termos tido um primeiro cavaquismo como um dos períodos mais desastrosos da nossa História, em nada deixava prever que o segundo se revelasse ainda pior. Execro Cavaco acima de todo e qualquer político da nossa praça. Ele incarna tudo aquilo que de pior posso encontrar entre as Extremas, quer Direitas, quer Esquerdas. Quando foi corrido, em 1995, havia um certo consenso nacional de que uma coisa daquelas nunca se poderia repetir, um pouco como havia a consciência de um pesadelo do qual finalmente se despertava.
O erro da Eleição de 2006 correspondeu a um dos maiores da nossa História: o homem não estava apenas mais velho, estava mais senil, mais limitado e mais esclerosado em todas as suas referências. Nada, nele, permitia a transição para o estranho, e tumultuoso, séc. XXI. Era, para todos os efeitos, uma figura estagnadas dos horizontes do Salazar tardio, dos Anos 60, reunindo o que de pior pode haver na Alma Portuguesa: um irreversível provincianismo, e uma incapacidade para perceber que, quando se vem para uma capital, é mesmo para abandonar as mundividências da aldeia branca, não para tentar tornar a Capital numa réplica alargada do pequeno burgo.
Quer agora que "todos se mobilizem". Eu já estou mobilizado, de olhos postos no relógio, à espera de que venham as próximas Presidenciais, para lhe dar um valentíssimo chuto no cu. Acho que, com a minha obsessão, até já desgastei os ponteiros do relógio, só do afã de nunca tirar os olhos de lá...
Fui, sou, serei, até que ele feche os olhos, um dos mais ferozes adversários de Cavaco e de tudo o que de ele emane.
Cavaco é tão mau que me faz lembrar, relativamente a Sócrates, aquelas historietas popularuchas, em que se dizia que ele vendia saúde, e ela era a doente crónica, mas deus nosso senhor acabou por decidir levá-lo, a ele, primeiro, para junto de si.
Simplificando: quando isto parecia ir rebentar pelas costuras de Vilar de Maçada, a Verruga de Boliqueime, mais as suas neoplasias anexas, puseram-se-lhe à frente e o leprosário deslocou-se todo para lá.
Que me recorde, não há memória de tanta conjunção de medíocres e inimputáveis, na primeira fila dos Poderes Nacionais, ou, sendo ainda mais radical, não há um único que se salve.
Politicamente, isto conduziu a uma dissolução, "de facto" do plantel político, e todos os quadrantes, por força das circunstâncias, tirando o ridículo episódio do "Zé faz falta" (O Zé está para o Socratismo como o Dias Loureiro para o Cavaquismo: "submarinos" insubmergíveis e inimputáveis) radicalizaram o discurso, e adoptaram posturas "revolucionárias", isto, quer se cruze o discurso de Portas com o de Louçã, o de Paulo Rangel e Ferreira Leite com o de Manuel Alegre, o de Jerónimo, de braço dado com as Conferências Episcopais, enquanto, nas franjas disto, monótona e autisticamente, Sócrates continua a vender aquela merda reciclada da Intel, o "Magalhães" (José Magalhães, recorde-se...), o Sr. Silva e a sua esposa, de Centro-Esquerda a inaugurarem maravilhosos presépios, o Sr. Constâncio a pagar as fortunas dos tubarões deste país, "salvando-lhes" os bancos, e a Dª. Lurdes, cujas provas académicas são escassas, a achar que são os outros, e não ela, que devem ser "avaliados".
Sim, estão todos a ser avaliados: 2009 prenuncia um exame de tal ordem que vamos ver alguém a debitar bovinamente o "esternocleidomastoideu" e a seguir o País a implodir.
Espero estar de férias nessa altura, se deus quiser.
(Duplo exercício de estilo, no "Arrebenta-Sol" e em "The Braganza Mothers" )

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sabe o que é uma bomba atómica financeira?...


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"Fragmentos Musicais" Bizet - "Te Deum"


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Claustro oco o é

"The Braganza Mothers", no dia em Maria de Lurdes Rodrigues decidiu apanhar com um tsunami em cima


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Essa mulher ou salta agora, ou o país desintegra-se. É uma questão de opção...

A MALDIÇÃO DA MINISTRA...



Estou em crer que a ministra da educação deve ser a pessoa que, neste momento, é a pessoa mais odiada deste país. Mas mais, para além disso, é odiada por uma classe profissional que, por norma, é bastante transigente e moderada mesmo nos seus ódios. A razão é simples, tomou os professores por parvos, abriu-lhes uma perseguição nunca antes vista, tratou de os denegrir o mais que pôde e tratou-os com uma arrogância e autoritarismo impossíveis de aceitar, fosse por quem fosse. O balanço final é simples de fazer: tornou insuportável a vida nas escolas, a professores, funcionários, alunos e pais.
Acordou no dia em que cem mil professores saíram à rua e acordou mal. Nesse dia, se tivesse um pouco de vergonha na cara e honestidade moral e profissional, tinha-se demitido. Mas não tem, nem uma coisa nem outra. Pelo contrário, com uma imbecilidade que ficará para os anais da história, resolveu ameaçar e exercer um poder, que acabara de perder, de uma forma ainda mais despótica e tirânica. Outra imbecilidade descomunal… No dia em que saíram à rua não cem, mas cento e vinte mil professores, começou a tentar mostrar-se mais humana e dialogante… Porém, esqueceu-se que os professores não estão esquecidos do mal que ela fez à escola pública e da forma como os denegriu e humilhou. Sabem que não é nem humana, nem inteligente e isso, para a classe, não tem perdão… Um mulher que obrigou colegas em estado de doença terminal a irem trabalhar, não fosse a sua cegueira e falta de vergonha patológicas, saberia que já nada tem a esperar neste país…
Possivelmente, irá para a Europa, como prémio de ter destruído a escola pública pensando nos tostões imediatos e para não ter que assistir de perto ao trabalho que irá dar tentar reerguer o que ela destruiu. É bom que vá e que se fique por lá, em Portugal está completamente queimada, enquanto não mudar de feições irá ao cinema, espectáculos musicais e a todo o lado a que vá e sentir-se-á mal, nem ela na sua patológica mania conseguirá ser imune ao desagrado que verá no rosto dos outros e aos comentários que ouvirá. Os ovos são muitos e de muitas espécies e não terá segurança para sempre… É a maldição que merece e que terá em Portugal. É bom que ria agora, porque o futuro se encarregará de a fazer engolir o riso…



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Um almoço especial

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"Do Portugal Profundo" organizou, para amanhã, um almoço de confraternização, entre autor, leitores e comentadores. "Do Portugal Profundo" tem um lugar especial na Blogosfera.
Todos nós estamos a fazer História, que, ainda que breve, já conheceu os seus Alexandres, os seus Césares, os seus Budas, os seus Cristos, os seus Hitlers, os seus Judas e as suas Evas.
A iniciativa é louvável. Nem todos falamos a mesma língua, mas habitamos o mesmo espaço. A par com o "Do Portugal Profundo" andámos em guerras comuns, como o "Casa Pia" e o "Diploma" (bons tempos...), e a mais iremos. A reserva fica para os... comentadores. Se muita coisa de precioso se recolheu no comentar do "Portugal Profundo", a seu par, fica uma imagem de profundo desgosto e de baixo nível de muitos dos intervenientes, que ali buscam um efémero protagonismo, ainda que negativo. Também recolhemos um pouco disso, embora patológico e delimitado, porque identificado. Espero que tenham o cuidado de seleccionar essa gente toda à porta... cof... cof... cof... Sinceros desejos de bom almoço. Se fosse em Lisboa, até eu aparecia.
Se quiser ir, ainda se pode inscrever AQUI

Vem aí a Deflação, o primeiro vento mórbido que anuncia a Depressão: cuidado com as folhas que arranca do calendário, porque podem ser as últimas...


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Dias Loureiro recusa abandonar o Conselho de Estado. Faz bem: é um Conselheiro bem digno do estado a que o Estado chegou...


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Imagem do KAOS

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A Sinistra Ministra resolveu acabar os seus dias arrastada pela rua. Cada qual suicida-se como melhor gosta

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Foto do "Sol"
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Os bancos endividados juntam-se para salvar um banco que geria fortunas, e você, contribuinte, vai pagar isso. Fantástico...


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Via "Público"

Dies Irae



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Manhã


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O meu coração é indiano

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Há dias em que não há lugar para humor nenhum. Rezam os Vedanta que a Verdade é única, mas são os sábios que a tratam por diferentes nomes. Mais atrás, naquele limbo da própria raiz do pensamento estático, Sivânia remete para o tempo baço, e apela para a Unidade, sem o delir das coisas que devêm. Não... não era isto o que eu queria escrever: a nossa época não se compadece com a Espiritualidade. Há coisas mais práticas, pequenos teatros do Mundo, ensaiados com crescente impiedade. As lições não se confinam hoje às paredes dos Templos, antes te dizem coisas mais práticas: podes morrer onde viajas; estarás morto nos lugares onde te conduziram para te curares; os lugares da partida terrena serão os lugares da dor do corpo e da irreversibilidade; nenhum luxo te salvaguarda do terror terreno e nós -- "eles" -- estamos em toda a parte.
A primeira versão conduziria imediatamente para as bancadas da Teoria da Conspiração. Hoje, todavia, o meu luto está em Bombaim, a NOSSA Bombaim, há muitos séculos trocada por uma qualquer herança inglesa de um rei menor... e um dote de uma Princesa que era uma chávena de chá de um tempo chão. Não foi acaso que tive uma das piores noites da minha vida, mas isso era cruzar agora, e abusivamente, uma premonição pessoal com a realidade que aí estava. Sucedeu-me o mesmo no 11 de Setembro. Ontem, foi igualmente assim: enquanto eu me contorcia nos estranhos contornos da Insónia, já o Mal grassava na Península da Serenidade.
Sou um especialista na intuição do Mal, à distância, mas isso é a minha lotaria negra.
Não há pior coisa do que a Premeditação, e eu nem vou falar disso. Num tempo, Bush afirmou-se através de um cenário de um crime medonho, e vai despedir-se agora, deixando ao seu herdeiro outro medonho crime.
Já passei a fase de acreditar em terroristas: os terroristas são os novos janízaros e os cossacos avançados da manutenção do Medo, que é a nova ideologia do Estado das Coisas: já não vivemos num tempo de Ideologias, que misturavam emoção com intelecto. A hora, agora, é das emoções primárias, o Medo, a Fome e a Angústia do Amanhã. Num mundo entregue a multidões sem dia seguinte, meia dúzia de promessas infernais chegam para os actos da cobardia e extermínio.
A sopa é explosiva. Já muitas vezes recordámos aqui a profecia de A. C. Clark, que remetia para 2010 o desaparecimento de uma grande metrópole do III Mundo, num holocausto nuclear. Alguém anda a compor o cenário, e a imaginação até é fraca: a sopa da pedra do costume, com os Fundamentalismos Islâmicos, mais a Morte, em Directo, apimentada com os Alvos Judaicos, e um ingénuo, no Extremo Ocidente. Quando o Irão e o Paquistão se posicionarem do lado errado, a Coisa estoira, e vem em ventos de plutónio, na direcção do Mar Oceano.
Enquanto o Sr. Obama continua nos seus lirismos de coisas extintas, o Obamismo já aí está: as forças que governam o Mundo já lhe colocaram o menino morto ao colo.
Dezembro já se previa bom, e Janeiro será adorável, quer dizer, se houver.
Bem pode ele perder-se nos seus "Uppanishads" que Sithantham vem agora cantar-lhe a unidade do Tempo Inicial.
Algures, alguém carregou no botão do Extermínio, como já aqui várias vezes foi sussurrado. Por mim, pouco me importa, sou a sombra de uma outra sombra, e sou finito. Posso desaparecer, que ninguém sentirá a minha falta.
Hoje, todavia, vou dormir com o coração dolente, ao lado dos nossos pobres irmãos mortos de Bombaim.
Que pena eu tenho tido de ter nascido numa época tão degenerada.

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