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quarta-feira, 31 de março de 2010

O Profano Sudário


Imagem do KAOS

Quando o país está parado, enveredamos pelas efemérides.
Costumamos ter a memória curta e as costas largas.
Mais coisa, menos coisa, há uns 3 anos, o Sr. José Sócrates, só deus saberá como, detentor de umas cadeiritas do Curso de Engenharia Civil, que lhe davam, e dão, uma habilitação abacharelada, acordava para um dos primeiros sustos da sua vida.

Já não me lembro se a coisa começou na Blogosfera, se foi nos Jornais, mas foi gloriosa: começaram por chover pautas incongruentes, faxes que não se percebiam se eram contemporâneos das notas, se dos pedidos das mesmas, via fax, motoristas do Estado, que ficavam à porta, enquanto o Sr. Sócrates fazia de aluno, e nós pagávamos (?) as horas extraordinárias do motorista,  promessas de declarações bombásticas, trafulhices de toda a casta, e um processo posto a um investigador da Blogosfera, que se tinha esticado demasiado, para a falta de cultura democrática e má consciência do gajo que governava Portugal.
Descobriu-se que se podiam fechar universidades, sempre que pudessem manchar os percursos manchados que os políticos nelas tinham feito, e assim se fez, e deus viu que era bom.

Desde então, as coisas mudaram, se possível, para muito pior. Descobrimos, escandalizados, que havia uma gaja, cheia de pinturas, que branqueava, a partir da sede da Justiça; que a História aceitava ser reescrita, e nós tínhamos de engoli-la; que havia notícias e não-notícias, sendo que as segundas prevaleciam sobre as primeiras, quando convenientes, e, mais coisa menos coisa, o tipo perdeu, depois, a maioria absoluta, percebeu-se que estava no centro de tudo o que era negócio obscuro, e de que havia um Partido refém de uma figura, que seria inaceitável em qualquer sociedade do Primeiro Mundo, exceto naquelas que, como a nossa, se tinham berlusconizado. Acontece que, quando penso em Berlusconi, penso, é claro, num gajo nojento, metido com a Mafia, a viver alegremente entre putas e travestis, mas tudo isso com palácios renascentistas, como pano de fundo, a velha luz de Roma a banhar o todo, e "malgré tout", um bom gosto de milénios, capaz de suportar um palhaço daquela estirpe. 
Nós, infelizmente, nunca conseguimos ir muito além das casinhas de azulejo do emigrante, das Casas da Música, das rimas do Saramago e das Capelinhas das Aparições, de maneira que ter um vigarista a encenar o rei vai nu num cenário destes é infinitamente mais deprimente do que tudo o que queiramos imaginar, mas isto sou eu a pensar alto, que sempre fui Europeu e Civilizado, e que nem nunca quis acreditar que essas coisas fossem possíveis, embora me passassem diariamente debaixo dos olhos. Excesso de Trianons, como diz um amigo meu, aliás, excesso de... Belvedères :-)

Depois disto, ainda houve Lurdes Rodrigues, a tal que enviava os professores para morrer nas escolas -- creio que nos países com leis, se chama a isso homicídio involuntário, mas cá dá-se-lhe o nome de Fundação Champalimaud... -- os presépios da Maria de Centro Esquerda, a Igreja, toda, confundida com uma "Casa dos Érres", os "Freeports", e Comissões de Ética onde pontificavam pessoas sem ética, suponho que, para que, pelo princípio da dupla negação, estando na Comissão de Ética pessoas sem ética, os casos de falta de ética que por lá passassem se tornassem imediatamente éticos, por serem analisados por desprovidos de Ética. Não, esta não foi uma indireta para a Inês de Medeiros: são só as vossas cabecitas malignas a congeminar. :-)

Não sei se vale a pena acrescentar mais alguma coisa. Esta era apenas uma celebração do Tempo Pascal: o Cordeiro de Vilar de Maçada está em plena forma, e é insubstituível. Ninguém lhe dá com uma miniatura do Idolatrário de Fátima nas fuças, como em Itália, porque o Povo é amorfo, sereno e sonso, e, no fundo, até gostaria de ter feito as mesmas coisitas que o Sr. Sócrates fez.

Está no seu direito, e eu, no meu, de achar que vivo numa pura esterqueira a céu aberto.

(Quadrado pascal, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os Saloios da "Face Oculta"


Imagem Kaos

"OS PROVINCIANOS

José António Saraiva

O PROCESSO chamado 'Face Oculta' tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por 'deslumbramento'.

Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.

Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio. Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos.

Deslumbraram-se, depois, com a cidade. Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.

Ora, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.

As suas vidas mudaram por completo.

Para eles, tudo era novo - tudo era deslumbrante.

Era verdadeiramente um conto de fadas - só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava.

Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.

CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo 'Face Oculta' (e também ao 'caso Freeport') entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.

Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.

Todos eles tiveram um percurso idêntico.

E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses: Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa, inscreveram-se na universidade, licenciaram-se, frequentaram mestrados..

Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.

A QUESTÃO que agora se põe é a seguinte: por que razão estas pessoas apareceram todas na política ao mais alto nível pela mão de António Guterres?

A explicação pode estar na mudança de agulha que Guterres levou a cabo no Partido Socialista.

Guterres queria um PS menos ideológico, um PS mais pragmático, mais terra-a-terra.

Ora estes homens tinham essas qualidades: eram despachados, pragmáticos, activos, desenrascados.

E isso proporcionou-lhes uma ascensão constante nos meandros do poder.

Só que, a par dessas inegáveis qualidades, tinham também defeitos.

Alguns eram atrevidos em excesso.

E esse atrevimento foi potenciado pelo tal deslumbramento da cidade e pela ascensão meteórica.

QUANDO o PS perdeu o poder, estes homens ficaram momentaneamente desocupados.

Mas, quando o recuperaram, quiseram ocupá-lo a sério.

Montaram uma rede para tomar o Estado.

José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado - a CGD -, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.

Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país.

MAS, para isso ser efectivo, perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.

Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.

A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.

Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.

O Diário Económico, que estava fora de controlo e era consumido pelas elites, mudou de mãos e foi domesticado.

O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara)..

A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma 'OPA', que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos ecrãs de Manuela Moura Guedes.

O director do Público foi atacado em público por Sócrates - e, apesar da tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.

A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que por sua vez depende do Governo.

SUCEDE que, na sua ascensão política, social e económica, no seu deslumbramento, algumas destas pessoas de quem temos vindo a falar foram deixando rabos de palha.

É quase inevitável que assim aconteça.

O caso da Universidade Independente, o Freeport, agora o 'Face Oculta', são exemplos disso - e exemplos importantes da rede de interesses que foi sendo montada para preservar o poder, obter financiamentos partidários e promover a ascensão social e o enriquecimento de alguns dos seus membros.

É isso que agora a Justiça está a tentar desmontar: essa rede de interesses criada por esse grupo em que se incluem vários "boys" de Guterres.

Consegui-lo-á?

Não deixa de ser triste, entretanto, ver como está a acabar esta história para alguns senhores que um dia se deslumbraram com a grande cidade.



Esta é a forma mais eloquente de definir um parolo provinciano com tiques de malandro, mas sempre de mão estendida, pior que os arrumadores que uma vez na vida se revelam minimamente úteis independentemente do ar miserável como se apresentam e se comportam quando não se lhes dá a famigerada moedinha."



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sim, confirmamos: "está em curso uma tentativa de assassinato político e moral de José Sócrates"

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
Imagem Kaos
Sim, é a resposta de 10 000 000 de Portugueses, a quem esse bandalho e a corja que o rodeia vexaram, humilharam e puseram sob suspeita, durante os tristes tempos do seu reinado. E tu, Auguisto Santos Silva, lembras-te, por exemplo, de quando declaraste que tinhas tido de "fazer algumas maldades à Função Pública (!)". Achas que isso é a linguagem de um político com dignidade!?... Chegou agora a tua vez... a vossa, aliás. Amocha, pá!...

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