Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
Para o pensador comum português, é sabido que o Sr. Aníbal, de Boliqueime, não é homem de grandes voos mentais: chegava-lhe uma enxada, um cantinho para cavar batatas, e uma bomba de gasolina, para explorar, um cêntimo a mais, os camionistas imprevistos. Hoje, em Belém, esteve notável: descobria que havia vida para além da Morte e que os "poltergeists" dominavam por todo o lado. Para mim, enfim, é como aquelas pessoas que ainda me vêm perguntar se o "Sócrates é gay", e às quais eu respondo sempre que dele não sei, mas que dos namorados tenho a certeza que sim. O País está em escuta há muito tempo, só que há as escutas sem consequências, como esta, e as que se vão convertendo em bola de neve. Se estivéssemos num país civilizado, o Sr Aníbal teria juntado ao seu discurso que não havia condições para convidar o homem que tem permitido esta subversão das Liberdades Públicas para o cargo de Primeiro Ministro, e creio que os 64% de Portugueses que, no domingo, foram às urnas para lhe dizer "NÃO", imediatamente lhe dariam razão, e o Sr. Aníbal teria, desde logo, assegurada a sua reeleição, com a qual avidamente sonha. Para mim, Português acima da média, heterónimo de um escritor e pensador, ainda juntaria o facto das buscas ao Portas. Só um Louco, ou um sistema ensandecido, deixaria que, no dia em que o Presidente da República vem dizer ao País que há escutas por toda a parte, sua casa incluída, daria ordem à Judiciária para desenterrar coisas como o "Caso dos Submarinos". O "Caso dos Submarinos" é mais hoje uma anedota do que um evento interessante, mas Portas, faz agora dois anos, foi bastante premente e premonitório, quando disse à minha amiga K... que estava impossibilitado de fazer Política, porque, de cada vez que se quisesse mexer, o Socratismo imediatamente desenterraria qualquer coisinha para o amordaçar.
Tinha razão: Sócrates, como político de borracha, fraco orador, medíocre pensador, e academicamente nulo, tem pavor de palavras alinhadas com inteligência, quer no discurso, quer no papel. Portas, como é público, é o inverso disto tudo, e ele sabe, teme-o, e ficou apavorado, quando os Portugueses lhe o puseram à frente, para ter de governar com ele.
Esse é, todavia, o facto novo: é que Portas, com ou sem o rabo preso, ganhou, no domingo, uma autoridade renovada, e bem podem desencantar todas as histórias de outrora que lhe são agora inócuas. Caem sempre ao lado, ou, num cenário pessimizado, caem sempre contra Sócrates e a sua máquina. Num tempo de velocidade de cruzeiro, ele que se acautele, porque, de cada vez que desenterrar uma história esquisita anti-Portas, pode ser que o valente combatente do "Independente" imediatamente ressuscite a "Independente", os "Freeports" e merdunças afins. O que fica evidente para o espectador atento é a promiscuidade que reina em Portugal, e a facilidade com a que a inversão de cronologias de intervenções policiais, ordens de tribunais, e coisas parecidas podem influenciar a agenda política. Nada disto é gratuito, e tem sempre alguém de caráter duvidoso por detrás: não é inocuamente que uns gajos da Judiciária recebem ordens de desenterrar "un certain Portas", para, com isso, virem potenciar umas palavras chãs, mas amargas, do homem que, para o mal ou para o bem, ocupa Belém. O resumo é elementar: ou é o Judicial que foi para a cama com a Comunicação Social, e dá ordem de soltura aos disparates, ou o Poder Político mostra que tem o braço judicial e policial de tal modo às suas ordens que se permite pregar "sustos", quando bem lhe apetece, mostrando às pessoas que a Realidade não é que pensam, mas aquilo que a eles convém. A terceira hipótese, mais remota, coloca Portas, Sócrates e Cavaco como meras marionetes de mãos ainda mais ocultas, que se permitem, agora, gozar à descarada com o Público.
O pior está para vir aí, e diz-se à boca cheia que Isabel Alçada, da Maçonaria Feminina -- as "Mulheres Vermelhas", nunca ouviram falar?... -- vem aí para fazer sentir saudades da Milú, "cosa rara". Conhecendo o espécime como conheço, digo que sim... Esta gente é capaz de tudo, e quando, nos anos da K..., com o Miguel Portas a assistir, Laura "Bouche" perguntou à Roseta se se ia coligar com o Presidente da Câmara do Martim Moniz, a outra respondeu, muito ofendida, "que os movimentos de cidadãos estavam inibidos de se coligarem com Partidos"... Durou-lhe três dias a inibição e a relutância...
Quero terminar com chave de Palladium: dado o anterior, vou fazer descaradamente -- agora é o quanto pior melhor --, durante duas semanas, campanha para que aconteça, em Lisboa, aquilo que eles mais temem: que Santana Lopes, o dos Violinos de Chopin, seja eleito. Vejam lá como eu estou hoje... :-)