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quarta-feira, 17 de março de 2010

Grandes Êxitos do "The Braganza Mothers I" - "De l'Annonce faite à Arrebenta"

Faz hoje dois anos e três meses que eu tive a Revelação. Estava, como de costume, profundamente mergulhado numa dose reforçada de "Dormicum", veio um anjo, acordou-me, e enquanto eu pestanejava na cama, disse-me: "Prepara o teu ventre, porque, em breve irás "conceber-te" numa Laurinda Alves..."

Pensei que fosse um sonho. Eu nunca tinha concebido coisa nenhuma, excepto umas reformas de um gaveteiro de t-shirts, que tinha os encaixes das prateleiras partidas, e eu, com o meu proverbial jeito de mãos, tratei de segurar aquilo com pregos, por acaso, ou talvez não, mais compridos do que a espessura das paredes, de maneira que, depois de pregado, aquilo ficou a parecer um camiseiro de faquir...

Adiante.

Eu devia preparar o meu ventre, para me conceber numa Laurinda Alves... Como tenho um fundo irremediavelmente romântico, a minha primeira reacção foi chorar. Chorei que nem uma Maria Madalena, horas e horas, porque, chegar aos meus 25 aninhos, e, de repente, do pé para a mão, vir um ser celeste anunciar-me que eu ia metamorfosear-me na Laurinda Alves, enfim, era um bocado a "Metamorfose" do Kafka, mas em registo J'aquina Monchica...

Depois, encarei o meu destino: havia, é corrente, cirurgiões na extinta U.R.S.S. que eram especialistas em estender ossos, esticar fémures, transformar anões em gigantes, de maneira que fui, que nem um desvairado, para a Net, procurar os "links", os contactos, as informações. Lá dei com o Dr. Solotov, da velha escola soviética, que, por email, me disse que me podia enganchar uns esticadores na queixada, e, se andasse com eles todos enfiados nos ossos, era garantido que 4 anos depois ia ter uma cara de cavalo; o resto era mais fácil, injecções de hormonas, um pouco de botox, umas "toilletes" apirosadas, uma voz avinhada de Maria João Avillez. Tudo a meu cargo.

Havia, todavia, o problema da inteligência, e eu, que sempre fui mau em Cirílico, lá enviei mais um email atamancado, ao Dr. Solotov, a perguntar-lhe como poderia ascender à inteligência da Laurinda Alves, e ele disse-me: "é elementar, meu caro Arrebenta: assim como a sua queixada se vai esticar, até atingir o formato de um equídeo, também a sua caixa craneana se vai atrofiar, até ao ponto de ficar com um cerebrelo do tamanho dos miolos do Homem de Flores, ou seja, mata dois coelhos de uma só cajadada, mas aviso-o já de que isso vai custar CARO, MUITO CARO!..."

Foi então que, nalguma lufa lufa política que se seguiu ao vergonhoso golpe de estado palaciano --- o último episódio do P.R.E.C. --, em que a Chorona se deu ao luxo de dissolver uma Maioria de Assembleia, para abrir caminho aos amigos de Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso, eu ouvi uma voz robótica anunciar que nos ia dar a abundância escandinava e o golpe de ombros que nos ia atirar para uma democracia avançada, cheia de modernidades, comodidades e bem-estar. Essa voz robótica era o miado de saltos altos, e entoar aporcelanado, entre Caldas e Sèvres, de "Miss Showers", velha batidona das penumbras do banho seco finlandês, das névoas do banho turco, onde nunca ninguém sabe quem era o caralho, que, de repente, se nos encaixava no cu, e das contemplações metafísicas dos tamanhos dos "membros", em hora de lavagem de suores de duche.

E foi assim que votei no Sócrates, já endividado até às orelhas, no meu processo de metamorfose de Laurinda Alves.

O resto já vocês sabem: era tudo mentira, uma cobarde mentira de um ser desprovido de carácter, um golpe de estado encapotado, destinado a bloquear N coisas que se preparavam para atirar o Sistema abaixo, o Casa Pia, onde estavam os nomes dos amigos todos, a tributação feroz da Banca, o fim do Rotativismo.
Como todos os Portugueses, seis meses passados de desvario, de opressão, de desrespeito pelos direitos cívicos e democráticos, eu estava endividado a 150%, ou seja de cada vez que me chegava o cheque da minha caixa do "Carrefour", já eu tinha tudo gasto, mais metade do salário seguinte...

O horror restante é meu: tive de escrever ao Dr. Solotov, a dizer que ou deixava de comer, ou parava com os tratamentos. Parei com os tratamentos, mas fiquei um pouco como o Homem Elefante, do David Lynch. Metade da minha cara é, de facto, de égua, mas a outra tem o arredondado da Fernanda Câncio. Raramante saio à rua, e só quando entro no transe dos comprimidos e das massagens de "Halibut" no pénis atrofiado, me atrevo a vir escrever para aqui, diário da minha dor e do pavor da minha existência castrada.
Do estrangeiro, recebo, amiúde, mails de amigos meus, a pedirem-me para descrever Sócrates, a "Miss Showers".
Invariavelmente respondo que é um carácter duvidoso, sempre travestido com uma mesma burka Armani.

Faz hoje dois anos que eu comecei realmente a sentir vergonha de ser Português...

Imagem KAOS

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