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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Semiramis, o bêbedo

Demência, laivos de âmbar ao entardecer!
Esculturas puras, parvas e podres!

Deus é gordo e leva no cu!
Sou lindo de morrer e feito  à sua e-magem!
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Transcrições das Escutas do "Face Oculta" - "Um pouco de sexphone, se faz favor..."


Imagem do KAOS

Dedicado ao Semanário "SOL", pela ousadia de me atribuir o galardão de "Blogue da Semana"


CD 37 – minuto 5, segundo 12 (Da série mandada queimar pelo Aventalinho do Orelhas de Bode, do Supremo Tribunal de Justiça)

Zé - … é porque eu hoje estou de ressaca. Voltou o meu primo de Shaolin, só conversas de gajos e de coca, ele foi para lá, pensar que ia aprender aqueles truques todos do “Matrix”, parece que deslocou duas vértebras, a minha mãe tem estado nas rezas dela…

Mano – A tua mãe continua nas cenas do Jeová?...

Zé- Sim, e isso é uma coisa que me faz sofrer bués, aqui, na vizinhança, quando ela bate à porta, a anunciar o Fim do Mundo, fazem um grande sorriso, mandam-na entrar, começa tudo como se já se conhecessem há muito tempo… Perguntam-lhe logo se ela já sabia que o Fim do Mundo ia ser comigo, a cota fica horrorizada, diz que não é isso que vem na “Sentinela”, mas as pessoas insistem que é isso que ouvem dizer por todo o lado, no talho, na padaria, no café…

Mano – E a velha?...

Zé – Pá, a velha anda fodida, como é natural, já foi de urgência para o hospital, e agora decidiu que já não vai bater de porta em porta, a falar do Fim do Mundo, mas da Retoma que vai vir a seguir. Entrou em depressão, porque batem-lhe com a porta na cara, como faziam antigamente. Isso, mais a Câncio, que quer ser aumentada, por cada notícia em que o nome dela aparece colado ao meu, nas revistas do Abel e do Carlos Castro..., pá..., ando mesmo mal, como no período da “Independente”…

Mano – Então, queres falar de quê?...

Zé - Pá, tudo menos de robalos, de sacos de dinheiro, de “Freeport”, de concessões à Mota-Engil…

Mano – Podemos falar da “Lena”. A cena está bem orientada com o consórcio francês. O Pedroso cumpriu bem a missão na Roménia, e, se calhar vai agora para o Báltico. Os gajos precisam bué de autoestradas, e nós sabemos sacar o alcatrão e… (risos) transformá-lo em… robalos (risos)

Zé – Mano, já te disse que não me apetecia falar de coisas sérias… Apetecia-me qualquer coisa de especial…

Mano – Tipo o quê?... Queres umas anedotas das pielas do Alegre?... Dos ataques de epilepsia do Cavaco?... Há umas boas, que me chegaram ontem de Belém (risos) O gajo parece que se mija pelas pernas abaixo (risos)

Zé – Não, queria outra coisa, sei lá... (silêncio)... Sabes fazer sexphone?...

Mano – Sei, mas com gajas russas, daquelas com mamas grandes e muita chichinha (risos) pachachas seminovas, como diz o Putin (risos). Queres que faça de gaja?...

Zé – (silêncio)

Mano – Pronto, já percebi… Queres que faça de gajo?...

Zé –(silêncio)

Mano – Escuta, eu sei imitar a voz do Diogo Infante… do teu primo…

Zé - Consegues imitar o meu primo?...

Mano – Yeah… os dois, os três, todos os que tu quiseres. (silêncio) Mas tens alguma fantasia com os teus primos?...

Zé – (silêncio)… tenho…

Mano – Com qual???...

Zé – (silêncio)… com… todos... Os primos, os meios primos, os tios... eu curtia uma bacanal com eles todos...

Mano – Então, vamos nessa, para coemçar, eu faço de Hugo Monteiro, e tu (silêncio)…

Zé - … eu posso fazer de... Câncio?...

Mano – Bute nessa, meu, bute nessa (risos). Vá, começa lá… Anda, chavala, põe-me essas tetas todas cá para fora…

Zé – (silêncio. Abre a camisa Boss) … assim, está bem?...

Mano – Yeah, meu, vamos já a uma “espanholada”?... Abre-me essas mamas e roça agora o telemóvel no rego… isso… estás a senti-lo todo, muito quentinho, para cima e para baixo?... Isso, vá, mais devagarinho, e roça mesmo o teclado, para eu te sentir toda… Queres gemer para mim?...

Zé – (Sócrates geme)… hmmmm… tão bom… Queres que meta o Blackberry onde?...

Mano – Onde quiseres, passa-o no rego do cu… Isso… devagarinho… Agora, põe no vibrar, que eu vou desligar e voltar a ligar… (desliga o telefone)

Zé - Hmmm, tão bom… Apetecia-me um Venezuelano daqueles morenões, como o Chávez me costuma arranjar, nas visitas de Estado… Mano, estou cheio de tesão… Não queres vir aqui, para fazermos os dois, ao vivo?...

Mano – Foda-se, ainda se fosses uma Lituana boa, fazíamos o “Hostel” aí, em tua casa, com a Mãe do Herman a cortar-te a picha e a dá-la de comer aos cães aí da rua, que ela costuma envenenar…

Zé - … vá, mano, já nos conhecemos há tanto tempo… Aqueles dias em que ficávamos sozinhos na “Sovenco”… (suspiro) Tantas vezes que eu pensei que me ias encostar à parede, e tratar como uma cadela… Até podíamos casar, quando eu aprovasse o Casamento “Gay”… (silêncio) Eu iria lindíssima, de véu branco e flor de laranjeira, e depois podíamos adotar uns daqueles putos sem família da Roménia… O Paulo conhece tantos… E o meu nome ia ser, no Registo Civil, José Sócrates Pinto de Sousa Vara… (suspiro) Lindíssimo… (suspiro)

Mano – Nâ, chavalo, isso não… Regras da Loja. Somos como irmãos: irmãos da Loja negoceiam, traficam e manipulam, mas nunca fodem. Isso ia ser incesto, Zé, quer na Regular, quer na Irregular...

(Fim da escuta)

(Dueto comemorativo, no "Arrebenta-SOL" e em "The Braganza Mothers" )

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nota Edibloguetorial: Novembro em expansão


Imagem KAOS

Aparentemente, dizem-nos nos jantares dos autores, estamos de perfeita saúde, e tornámo-nos numa referência. As nossas audiências oscilam entre o elevado e o muito elevado. A nossa equipa, com a reativação da Tânia Vanessa e a entrada em cena de Napeida Currália, promete bater os recordes de audiências.
Por outro lado, continuamos espartilhados, por termos atingido o teto das etiquetas, e a opção poderia ser mudar de espaço, o que é sempre problemático.
O "Sapo" teve a simpatia de nos abrir um espaço no seu universo, o que muito agradecemos, mas o "Blogger" continua a oferecer uma série de passos intuitivos, que muito apreciamos, e adiamos a transmigração, por agora. Como é necessário inserir novas etiquetas, uma hipótese seria fazer um corte nas supérfluas ou obsoletas, o que implica trabalho acrescido. Do mesmo modo, seria desejável uma reentrada nos comentários não moderados, mas o flagelo das contrafações de "nicks" e das patologias parece não ser apanágio do nosso espaço, já que se multiplica por todo o lado, impede-o, de momento. Um conselho genérico, é fazer o estamos a fazer, que é reenviar os comentários ofensivos, difamatórios e criminalmente analisáveis, para support@blogger.com, em princípio, o responsável pela saúde destes lugares.
Há gente que  insiste em não ter vida própria, tem demasiado tempo para dedicar à sua miséria existencial, e nunca percebe a aura de ridículo de que, em espiral se vai revestindo. Como se costuma dizer, há gostos para tudo.
Serve, afinal, este texto para dizer que, num país que se decompõe, e continua cravado no cauda da Europa, nos congratulamos com ser um caso de sucesso
 É bom que nos aconteça, e é um bem que a todos contempla. O nosso horizonte, é, como sempre foi, a excelência... :-)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Sinistra Ministra Isabel Alçada


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Dedicado a Maria de Lurdes Rodrigues, que, imaginem, nos vai deixar saudades com o que aí vem...

O KAOS falhou-me hoje com a imagem, de maneira que começo o texto a meio, ... era uma e meia da tarde, já estava eu a telefonar para Londres, para o Filipe, sempre querido, sempre amigo do meu coração, eternamente infantil, que ainda estava no seu eterno encanto de alma ledo e cego, para lhe dizer, e passo a citar, "olha, a puta da tua prima foi escolhida para nos foder... (sic)", e como o outro não percebesse, tive de lhe dizer, "é Ministra, agora...", e ele, "mas Ministra de quê?...", e eu, " Da Educação, a única Pasta, tirando a da Cultura, onde cada um pode ser Ministro..."
Isto é a fase dos "fait-divers", porque, logo a seguir, fui caindo na Real: Lurdes Rodrigues era uma mulher obcecada, primária, que tinha sabido o que custava subir na vida, a partir do nada, e aqui fica feito o elogio possível, a quem não me merece nenhum respeito, porque nunca se soube fazer respeitar, mas, vá lá, sou cavalheiro. Isabel Alçada é pior, é secundária, cínica, ambiciosa, pretenciosa, "snob", e com o pior estádio de quem tem "pedigrée", que é achar que tem mesmo "pedigrée", e quem não tiver não... existe. É secundária, e dá-te, por meia leca, e a sorrir, uma, duas, três, facadas nas costas. A coisa é substancialmente grave, no momento de derrapagem do Sistema de Ensino. Pode perguntar-se o que é que uma gaja, casada com o Rui Vilar, patrão da Gulbenkian, vem fazer num terreiro destes, onde tudo são trincheiras, minas e atiradores furtivos. A primeira resposta é evidente e é ditada pela vaidade dura e pura, como é típica destas gajas que vêm das bases do Ensino e não se habilitaram academicamente, senão, acima de umas duvidosas cuspidelas curriculares, e esta tem várias. A segunda é redundante: como não tem qualquer ideia para o Ensino, exceto nivelar o lixo por cima, mas está cheia de ideias para si, era o perfil ideal para o cargo, e foi.
Não "se achasse" e não passaria de uma mera espécie de vendedora ambulante do Círculo de Leitores de Lombadas, mas as "Mulheres de Vermelho", o braço maçónico feminino deve ter achado que era a hora ideal de a sua acólita avançar, e avançou. Parece-me vê-la, de escola em escola, a vender as "Aventuras da Professora Tijuca de Perna Aberta nas Moitas de Oitavos, à Boca do Inferno", onde passavam os camionistas, e vazavam os colhões, isto, "da capo", repetido tantas vezes até as criancinhas, e os leitores para criancinhas, adormecerem.
Agora que é Ministra, substituirá Eça e Camões pelas suas/delas bostadas (Ana Maria Magalhães) e... e esta é a minha grande esperança, pôr livros dela no programa, em vez dos horrores do Saramago: sofrem menos os jovens e quem tem de os ensinar, embora a ignorância da Língua permaneça estacionária, e isso é bom, execelente, "moderno". Com sorte, e louvando a Bíblia, talvez o Loby Maçónico, com o austero apoio gulbenkeniano a transforme no próximo Nobel da Literatura. A verdade é que se o Saramago tem, por detrás de si, uma fantástica máquina de propaganda, distribuição e venda de lixo, esta não a tem melhor, e noutro nível, não diria "tia", mas mais "chic", e nesse patamar eu gosto de discutir, ou seja, temos tudo para nos odiarmos de morte, à cabeça: ela, porque eu nunca a li, nem lerei; eu, porque talvez aconteça que um dos seus assessores lhe ponha, um dia, debaixo do nariz o que eu penso da figura, e a madame não é como a Lurdes, que estava sempre a jeito e ao nível de enxovalho; esta tem um Obama lá dentro, e não admite brincadeiras, é menina de processos disciplinares e perseguições, uma espécie de Margarida Moreira, mas de bairros finos, pelo menos na conceção dela de... "fino".
Por mim, estou-me, como o Ferro Rodrigues, "cagando": estou, literalmente, a entrar numa novelíssima fase da minha vida, e isabéis alçadas já eu como, e comi, muitas ao pequeno almoço, desde que me conheço, e assim continuarei.
Num parêntesis, e no esterco que é este "novo" governo de Sócrates, que está todo errado, já que o erro maior está na pessoa do escolhido para Primeiro Ministro, e tudo o resto são meros declives consequentes, uma palavra de elogio para a menina Canavilhas, bem simpática, uma mulher da Cultura, e pianista, o que faz dela, em hipótese, e, neste caso, em tese, uma alma sensível e um bom caráter. É. Faz parte das minhas curiosidades biográficas ter-lhe atribuído um prémio (!), mas hoje não estou para grandes histórias: recordo, com saudades, um regresso de Castelo Branco, onde concordávamos que o melhor "Requiem" de Mozart era o do Hogwood, com as suas vozes infantis, e sequência heteróclita.
Quanto à Alçada, não sei se irei escrever muito mais, já que não vai demorar muito, a ela, conseguir pôr na rua, não 100 000, mas 150 000 professores, e isso vai ser adorável. Porém, como é uma senhora, eu, que seleciono as palavras ao milímetro, quero despedir-me com uma flor, mas uma flor especial, que só se dá a narizes empinados como o dela: querida Isabel Alçada, a nova Sinistra Ministra, receba deste seu Arrebenta, com carinho, amor, devoção e respeito, uma flor, mas uma flor de uma das palavras que mais execro em Português: uma flor de... chulé. Melhor, um título que até podia ser dela: "Aventuras de uma Oportunista toda Perfumada numa Flor de Chulé".

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Saramago: um dos momentos mais reles da Língua e do Pensamento Português: "Shame on you", sua sarjeta analfabeta!...



"O Laramago": breve introdução

Algures, num qualquer dia do Ano de 1992, de que já não me lembro bem, e a propósito de um qualquer prémio literário europeu, cujo nome ainda menos recordo agora, um tal de Sousa Lara (*), alçado, durante a "Période Vache" do consulado cavaquista, à burocrática dignidade de Subsecretário de Estado da "Cultura", lembrou-se de proibir o livro, do simpatizante comunista José Saramago, "O Evangelho Segundo ( Qualquer Coisa )", de integrar o painel de candidatos nacionais ao tal prémio europeu. Esse simples facto imediatamente gerou uma acesa polémica, tipo de réplica aldeã da crise mundial que acompanhara a condenação à morte, pelos Integralistas Iranianos, de um escritor de terceira linha, cujo nome igualmente já esqueci. Como infelizmente, num mundo dominado pelo constante martelar de rádios, televisões, etc., tais coisas, embora não nos interessem, acabem por provocar uma quotidiana poluição sonora, reflecte, "O Laramago", uma dessas solarengas tarde de cansaço do autor.
*
O Sousa Lara não presta, mas o Saramago
ainda presta muito menos, e vice versa...

O Lara fez muito bem em proibir o Saramago, porque o Saramago não presta.
Mas o Sousa Lara escusava era de ter proibido o Saramago da maneira que o fez, porque o Sousa Lara devia era ter logo dito que o Saramago era o Manoel de Oliveira da Literatura Portuguesa, o Analfabeto do Desconforme, o Fermento da Fome de Qualquer Pão Balofo, o Esbulhador da Simplicidade dos Parágrafos, o marceneiro que quis ser escritor, e que, afinal, só conseguiu lançar no desamparo os clientes da sua marcenaria!...

O Sousa Lara devia era ter logo invocado que o Saramago era o imitador dos piores dias do senhor Dom Francisco Manuel de Mello, dos calcanhares mais rasos do grande poeta Luis de Góngora, e do mais humilde varredor de ruas do Siglo de Oro peninsular!... O Sousa Lara devia era ter logo posto a nu que o Saramago era o plágio azedo das piores prosódias seiscentistas, e com um tal fedor que já dele ninguém se podia aproximar!... E devia ter-nos lembrado que aquilo era o Nouveau Roman, mas posto a girar tão fora de rotações, e tão lento e tão roufenho que mais parecia uma abelha Neo-Realista a sibilar um fado antigo!!!...
O Sousa Lara fez muito bem em proibir o Saramago, mas devia era ter-nos imediatamente dito que o Saramago era o presente Esterco da Língua, o Contra-Reforma da Modernidade, o Inquisição da Largueza do Épico, o Tesoura Afiada da Imaginação!... Que ele era o Académico Assumido das Obras Feitas, o Lugar Comum do Parágrafo da Banalidade, o esfriado da prosa fria da confusão sintáctica do Modernaço Já Caído na Andropausa!...
E, por isto tudo, e por todas as coisas simples e maravilhosas que distinguem a Literatura do mero papel estragado, o Sousa Lara devia era ter-se posto aos berros, a dizer-nos que o Saramago não sabia, nem nunca saberá escrever o que quer que seja, que ele era o acomodado da barriga grande de se andar a encher das alardoadas de já ter feito tudo o que podia fazer no campo do encher a burra, coitado, com os seus ombros meridionais, e encolhidos, a voltar todas as tardes p'ra casa, recontando tostões e milhões de uma farsa acumulada!!!... Pois é fácil sermos comunistas de Lanzarote, com o resto do mundo a arrastar-se na miserável miséria da sua modorra sempre idêntica!!!...
Porque o Sousa Lara, se fosse uma coisa séria e não um mero penduricalho da política de circunstância, devia era ter logo batido ali o pé, a uivar que o Saramago não sabia fazer livros que o valessem; que a única coisa que ele sabia fazer era debitar as lombadas atrás de lombadas da hora certa de qualquer lugar!... Que a maravilhosa criatura, agora censurada, não passava do mero triunfo de uma máquina de gigantesca propaganda, da broa pesada e ressequida, e amanteigada em 100 quilos de ulcerar o estômago, mas toda embrulhadinha em dourados, hoje, e iluminada em candelabros, e posta nas banquinhas da Maria del Pilar, a vender-se produto reciclado nas esquinas do grande teatro do mundo!... Que o Saramago era a alegria das bancas do Jumbo, e do Continente e do El Corte Ingles. Que o Saramago, afinal, não passava era de uma triste Jangada de Pedra, num resvés de não ir ao fundo, porque no fundo já nós andávamos há muito, e por fadado destino!... E assim continuamos, e agradecemos e insistimos, com uma remediada reverência latina e compungida!!!...
Porque o Sousa Lara, se afinal não fosse mais uma coisa sem tomates deste pobre pocilgueiro lusitano, devia era ter-se virado logo para nós, olhos nos olhos, e gritado com viril profundidade, que o Saramago se tinha tornado no Cem-Mil-Vezes-Pior-do-que-o-Dantas, no Pseudo Prosador Presente da Situação Dolente, no Sucesso Absoluto deste País dos Milhões de Analfabetos, na ferina Agustina do Sul rançoso, no Ai-Jesus-Dos-Que-Tanto-Adoram-a-Literatura-de-Escaparate, no Prateleira Preenchida da Doméstica Analfabruta, no Poia Anual para o bruto ter sempre coisas sérias para oferecer no Natal, no Centésima Edição de Coisa Alguma, no Bota-de-Elástico, que não passava da Bosta de Elástico de Andar a Esticar Milhentas Vezes uma Ficção Inexistente, nos Triunfos de Tradução dos Três Exemplares Da Livraria Arruinada do País Nenhum!...
O Sousa Lara devia era ter rapidamente posto em cima da mesa que o Saramago era a Menina dos Olhos do Reino da Mafia Generalizada, o semideus da terra do Cinismo, da corrupção, e dos conluios partidários... Que o Saramago era agora a arte oficial soviética de há sessenta anos, mas aqui reciclada e prontamente à beira mar plantada!... E que o Saramago era uma coisa tão manhosa que até tinha conseguido pegar na sinistra mão dos seus manos da Sinistra, para lhe fazerem subir à cena a travestida Blimunda, pobre Ópera Requentada dos Nenhuns Vinténs, e hipocritamente revestida de Luva Branca, ainda por cima no litoral atrasado onde esta pátria de gente impiedosa se entretinha com castrar todas as carreiras de cantores que o valessem!...
E, no meio disto tudo, o Sousa Lara, afinal, escondeu-nos foi a terrível verdade de o Saramago ser a novela pobre, a mera fraude, a anómala operação de branqueamento do deserto da nossa Ficção; porque não teve a coragem de nos saber dizer que quanto o Tempo organizasse um dia a justiça destas coisas todas, mas mesmo todas, naquela hora de impiedade em que todas as cunhas e as mentiras há muito se espalharam pelos derreados cemitérios das eras, e se tornaram pó e vento e esbanjada glorificação, para o Saramago já não iria sobrar nem margem, nem franja, nem lugar algum no futuro dos maiores poetas...
Ó meu caça tostões; ó meu soletrador obscuro, ó meu Incapaz-de-Fazeres-Qualquer-Coisa-que-o-Valesse-Pela-Língua!...; ó meu Quasímodo empenhado em distorceres a frase, em perverteres o ponto e amalgamares maiúsculas corcundas em muitas saladas obscuras, e inúteis, e retorcidas!...
E por estas coisas todas, e mais as outras, e as que eu nem sei, nem delas suspeito, nem sequer nunca saberei, pobre humano ludibriado que hoje sou, o Sousa Lara fez muito bem em proibir o Saramago, embora eu ache que ele não o devia ter proibido só ali, naquela hora, naquele dia, e naquele mês, mas devia era tê-lo proibido logo de vez, e fechado num armário de coisas vergonhosas, como todos aqueles esqueletos que ele acusa a Igreja de ter escondidos, quando a igreja dele não passa de outra sinistra igreja de almas e esqueletos descarnados...
E porque tudo na vida é política, era então que o Sousa Lara nos devia ter também mostrado, mas mostrado a sério, como um verdadeiro homem de verdade, e não com a pobreza dos seus fracos vetos retortos e traiçoeiros e envergonhados, que o Saramago era o Senhor Comunista Plutocrata do Nosso Vão de Escada, o Ex-Profeta Gago da Germânica Stazsi, dos electro-choques na Oposição, o príncipe das parolas dos abatidos do Muro de Berlim, o Comissário de Terceira da Securitat Doméstica Eslava, de arrancar unhas aos livres pensadores, o cantador das praias de miséria do gueto cubano, onde eles e elas hoje se prostituem por um bom par de calças, o abutre redundante do mar das silenciosas massas para sempre deportadas para a lúgubre Sibéria, o não-arrependido cronista dos muitos milhões de vítimas do Grande Sol Soviético, o mau estalinista, já tornado agora no péssimo padrinho apressado das reformas, o Gorbachov da capoeira da inveja dos outros, o Yeltsin cambaleante da eterna borracheira, o fotógrafo das fotografias apagadas dos retratos oficiais, o Quarta Via do autoclismo puxado à pressa, o descambado censor de sentinas do KGB do Nosso Descontentamento, o tesourinha arrepiada dos diários de notícias, mas passados agora em replay de cassetes, num ora agora me censuras tu p'ra a frente, ora agora te censuro eu p'ra trás!... Lembras-te, Saramago, de quando também tu eras censor?... Censor!?... Mas eu nunca fui censor!... Mas isso já lá está tão para trás!!!... Para trás!... Para trás!... Mas, por que será que com ele haverá de ser sempre para trás?... E por que será que com o Saramago se terá sempre de repetir o sinistro termo da Censura?...
E por tudo isto, e tantas outras lastimosas coisas, lamento eu agora que o Sousa Lara não tenha sabido lembrar-nos, com a sua proibiçãozinha de secretário secretariado de secretices e sacanices, que afinal o Saramago continuava a ser o mesmo Saramago de todos aqueles repassados invernos de outrora, soturnos fazedores deste lúgubre século do nosso descontentamento, o mesmo Saramago mal encapotado do Neo-Fascismo da Língua, do descarado Oportunismo-Chegado-Tarde-e-a-Más-Horas-Da-Severa-Disciplina-Do-Meu-Partido-Vale-Me-Sempre-Pelo-Menos-Sessenta-Mil-Leitores-Bem-Certinhos!...
E assim nos deveria o Sousa Lara ter lembrado a glória presente da grande figura de tão grande homem, que afinal ainda era tão só o Outro, o perpétuo cantador das falsas virtudes de um mundo completamente castrado, o silencioso cúmplice da cumplicidade silenciosa de todas aquelas ditaduras, para quem o mal só existia no regime ao lado!... E assim nos deveria o Sousa Lara ter falado do espantoso Saramago daquele enorme amor que eu comungo com todas as sociedades secretas, que, como os albinos receiam o sol pleno do meio-dia, perpetuamente se furtam à transparência e à frontalidade de todas as palavras livres.

Porque, do Saramago, dizem agora, coitadinho do Saramago, que foi censurado!...., mas do Saramago, digo eu, coitadinho é de mim!..., porque tenho de continuar a respirar o mesmo ar que ele anda a conspurcar; e sou diariamente forçado a passar p'las mesmas ruas dele, num mano a mano com tão grotesco mastodonte, vergonhosa espécie de Imprime-Folhas de serviço, reles piquete do Não-Presta-Mas-Continua-a-Vender-se-Que-Nem-Ginjas!...
Porque o Saramago agora é que está na maior, e, quando eu aqui digo NA MAIOR, é com todas as palavras maiúsculas que o soletram!... Porque a ele só lhe faltava a excomunhão iraniana do obscurantismo, para por cá poder continuar a regurgitar badana após badana!... E assim lhe valeu a grossa asneira do Lara Secretário, torná-lo hoje beeeeeeeem e actual!...

E assim sejam dados mil parabéns ao Saramago, por assim poder voltar ao asiático luxo de multiplicar as resmas de papel com que os desgraçados da Incultura se passeiam debaixo do braço, no doloroso abismo que hoje separa comprar e ler!... E assim lhe sejam dados parabéns, por esta alegria das gentes simples, em cujas testas vazias reina a sempre eterna confusão enorme entre o intragável passar por ser o mérito próprio das obras grandes!.... Mas o que é que isso agora importa, pois tu imediatamente morrerias de pesadelo, ó glorioso escritor, se eles realmente decidissem um dia ler-te, e por fim compreendessem, mas só pelas grandes razões estéticas da Literatura, e só por essas, e mais nenhumas, e por aquelas razões mais básicas, e mais elementares, e mais profundas, aquelas razões pelas quais um dia o Homem descobriu que as palavras também eram comoção, sortilégio e Magia, e então amargamente descobrissem por que é que tu, afinal, nem sequer existes, ó meu mero fruto de uma Insignificância em silenciosa ascensão!...
E é só porque nós ainda nos encontramos nesta entaipada Grécia do Feio, que o adormecido Pascoaes cassandrizava no brumoso encerrar do seu Saudosismo, que tu hoje podes continuar a ser o melhor cão dos ossos de todos estes compradores, que te tornaram maravilhosamente rico, mas tão rico, que nem sequer aqui te distingues dos piores cetáceos da Plutocracia!... Ó perfil obsceno de um comunista convertido aos euro-cifrões!... Ó venal corpo esculpido nas franjas do pior de dois mundos!... Ó derradeira mão armada do Reino Curto dos Analfabetos!... Ó primeiro entre iguais dos gigantescos ideólogos do Liberalismo-Do-Saca-Hoje-o-Mais-Que-Puderes-Que-É-De-Aproveitar-a-Confusão-deste-Lusco-Fusco.
Porque o Saramago é a Boceta de Ouro da Boçalidade, e quando lhe deitarem a mão aos gorgomilos, ele há-de vomitar todas as benesses da Abundância!... Porque o Saramago é fértil e fecundo e suculento!... E vai-se tornar agora na alegria dos pobrezinhos dos seus irmãos desapossados, só p'lo prazer de ver passar por cá as sedas suecas do seu grande defensor!...
Porque o Saramago vai ser hoje o Mãos-Largas da Caridade, o Rockfeller Inicial da Lascívia, o arauto Maxwell da Televisão, o Carlos Cruz da mediocridade a bater à porta, olha, olha, outra vez o Carlos Cruz, olha ele, olha ele, truz, truz, truz, a mediocridade a bater à porta outra vez!!!... Ó meu trovador do sucesso, não de qualquer sucesso, mas do Sucesso-Em-Si-Mesmo, do triunfo permanente da página da frente, e do meio, e da notícia do fundo, e da referenciazinha de rodapé, da publicidadezita de qualquer recanto, do intruso do vil anunciozeco de penhora, da indiscreta interpolação da triste nova do necrotério!... Ó perpétua alegria dos limitados do Expresso, no seu eterno copular com o Poder, dos Independentes, que só souberam dar à estampa o pior dos ressentimentos, o ressentimento do próprio Ressentimento, de todos os esvaziados jornais do mais triste remedeio da esquerda de meia leca, dos sonhos húmidos de todas as rameiras finas das Olás, Semanários, das leituras das Saviottis e das Prietos e das Caneças, a caírem das tripeças, das televisões e das rádios do grito caseiro da primeira página, para quem agora fica a prova provada de que, afinal, e mesmo sem se ter de fazer nada, se pode parecer, e ser, e beneficiar dos privilégios do melhor, e até chegar sem aflição à cabeça coroada dos espantosos lugares da frente!... E, assim, também tu acabarás em breve por cair nas graças de todos os cangalheiros do efémero, e para sempre serás com eles enterrado na passageira penumbra de uma reles masturbação jornalística!...

Porque nós vamos ter agora no Saramago uma nova Madre Tarada de Calcuteza, eternamente posta a planar com caridade as sobras da euforia canibal do pior capitalismo, e a sustentar, com caldinhos quentes, a alegria dos mais corroídos leprosários da mente, dos inúmeros analfabetos-do-preenche-agora-a-estante-com-eficácia-e-rapidez!... E é, à conta deste glorioso herói, que vai Portugal finalmente poder perder as suas cinco quinas de miséria, e a esfera armilar de tanto andar a merdilar, para se tornar, por mérito próprio e reconhecido, na derradeira Cornucópia da Abundância deste desgraçado Dobrar de Século!...
Porque ao Saramago, agora, já só falta ser cantado pela Amália, e a estátua, de cuzinho polido e arredondado, a ser habilmente martelada p'lo artista Cutileiro, e mais um retratinho-gatafunho, apressado, e à tarefa, pronto para entrar na grandiosa galeria de horrores do genial Luís Pinto-Coelho espanholês!...
Porque ao Saramago, agora, já só falta o Nobel (*), e um milagre, e a beatificação!...

Mas a beatificação lha dou eu, quando aqui lhe chamo Animal de Bestificação, e Antro de Ignorância, e sujo Esfarelador da Língua, e imbecil Impostor da Página Impressa!...
((*) O Nobel, já o teve também o Saramago, neste fátuo ano de 98, para agora finalmente se poder juntar aos gloriosos nomes de Benavente (1923), Bounine (1933), Quasimodo (1959), Montale (1976) e tantas outras "glórias" do eterno silêncio, que o mesmo prémio outrora consagrou... E assim contribuíram os Escandinavos para que houvesse um bom dia para Portugal, e mais uma vez fosse prestado um péssimo serviço à Cultura Portuguesa...)
Porque do Saramago digo eu: qualquer obra que dele saia nos há-de cheirar sempre mal!... Porque não será nunca livro de língua alguma, mas pura caca, a multiplicar-se no vil fedor da celulose contaminada do soletrador!... E de cada vez que eu lhe molhe em cuspo as páginas biográficas do Ensaio da Cegueira, hetero-biografia de todo o mundo --- que, se assim não andasse a cegueira do Mundo, ele nem sequer hoje existiria!... --- só me há-de ficar no ouvido um perpétuo coaxar de rã obsoleta, a entorpecer, e a entorpecer, e é então que eu terei de dar um grande salto, e postar-me em sentido, atrás, numa gigantesca pose guerreira, não fosse acabar por adormecer ali, com um enorme sapo entalado na garganta, e a carteira completamente vazia, nessas vetustas manhas barrocas de se usarem assaltar incautos durante o miserável espectáculo do Ilusionismo!...
Porque o Saramago já tem tantos defeitos que ora nem se consegue distinguir do mais decadente Poder!... Porque o Saramago manda hoje e aqui deita cartas de autoridade, no dia a dia dos nossos profundos vexames!... O Saramago é o analfabeto que lá conseguiu conquistar o Mundo!...
O Saramago é o Chernobyl, e a morte do Mar de Aral, e o devorar da Amazónia pela peste capitalista!... Ele é o buraco do ozono, e o monóxido e o dióxido e o pentóxido de carbono, e a Sida do virar do século!... O Saramago é a causa cruel do triste fim do derradeiro índio da raça extinta, a mão que quis deitar fogo à Comédia do Aristóteles, o soldado criminoso que matou o inimigo desarmado, muito depois de já saber a guerra acabada!... E sempre que desaparece um avião nos confins da Antárctida, e cai um prédio num pátio sujo, e há um criminoso a esfaquear meninas, a culpa há-de ser do Saramago!...
O Saramago é pior do que uma catástrofe ecológica!... Cada livro que o safado escreve não é mais do que um derramamento de crude na Baía das Encantadas, mais uma mancha de óleo numa sumptuosa montra de livraria, mais uma espinha cravada na garganta da Inspiração!... Porque o Saramago odeia a Natureza!... E, se redobra a edição do seu patoá grafado, é porque quer que muito mais do que mil novas árvores venham abaixo, que cem mil copas se deixem mastigar num monte de folhas sujas, espécie de futuro refugo de alfarrabistas, de vendedores de sebo desusado, de traficantes de páginas que ninguém conhecerá, nem voltará a ler, das sobras de amanhã, do lixo da imprensa dos netos, para quem teremos sido os avós cúmplices de tão grande boçalidade!...
O Saramago não presta, mas deixem-no andar p’ra aí!... E por que não haveria de continuar a andar, se a nossa história é toda feita dos carreiros de atavismos milenares em que insistimos em emburrar para os mesmos sítios, com os olhos sistematicamente desviados da Floresta da Realidade, e cravados na metafórica árvore seca do proteu de todas as formas com que o Homem insiste em enganar e oprimir o seu igual???...
O Saramago odeia a Flora, porque ele é o próprio euclipto-mor da Literatura, a crescer desmesuradamente num par de anos, à custa de um punhado de parolos que não se importou com secar a terra toda à sua volta!... O Saramago é o Abcesso de Coisa Nenhuma, o primeiro Levantado do Chão do novo-riquismo, de o que conta agora é triunfar, e bem, e sem nunca olhar a quem!... Ou contra quem, porque ele não passa do rosto escalavrado, boçal e vindicativo, desta nossa Classe Dominante, espécie de Antro Político da Porcaria Reinante, infame bando de corruptos, a quem Parece-Bem-Ter-na-Sua-Época-um-Animal-de-Escrita-de-tal-Sucesso!...

O Saramago é a erva saramaga, a alcunha de província repetida, que lá se acabou por transformar em apelido ressonante, mas que não era mais do que a amarga erva saramaga, que todos os agricultores arrancavam, para que o leite das suas vacas não amanhecesse azedo, mas até isso já nós conseguimos esquecer, nesta amnésica hora de hoje!... E é por isso que agora me apetece chamar-lhe aqui, e bem alto, e com toda a coragem da minha vontade, os piores de Todos os Nomes de que eu me viesse a lembrar!!!...

Mas nem me lembro, e apenas me vêm banalidades aqui, e uns quantos insultos de infância, e simples rasgos de chacota, porque o Saramago é o Glutão, e o Papa-Formigas, e o Frieira das tiragens!... O Saramago é o Coceira, e o Erisipela, e o Sarna da ideia alheia!... O Saramago é o Peidolas!… O Saramago é o Doença dos Pézinhos, o Paralisia Agitante, o Allzheimer, a Síndroma de Dawn e a Síndroma de Up, e o Delirium Tremens de qualquer desgraçado!... O Saramago é o Batata Grelada, o Alho Porro, a Maçã Bichada do desespero da melhor cozinha!... O Saramago é o Fel da Língua, o Óleo de Fígado de Bacalhau dos Leitores Incautos, o Melancia Regada com Vinho do Ai-do-Meu-Pobre-Estômago De Quem Lhe Quis Abrir um Livro!... O Saramago é o tóxico-dependente do seu próprio fedor, o fábrica de curtumes atrelada ao ventilador, o lixeira das dioxinas, o incineradora ambulante, o Está-Podre-Mas-Lá-Se-Irá-Servir-Bem-Temperado, prato fino e CARO, dos melhores restaurantes da lusitana cidade!...
O SARAMAGO É O REVOLTANTE HERMAFRODITA DA INCANSÁVEL FORNICAÇÃO DA OBSCURIDADE DA LÍNGUA CONSIGO MESMA!...
Mas a triste verdade é que o Saramago nem sequer sabe escrever!... Porque ele é o horror da Prosa Má tornada coisa péssima!... O borrão, a rasura, a narração estragada, o Ponta-e-Mola de Quem Disser o Contrário!... O Saramago bem tenta cuspir vírgulas, e escarrar pontos e vomitar conjunções, mas cada vírgula do Saramago é a pior afronta do entrecho, e cada ponto dele um mero atentado à morfologia, e o seu mais pequeno travessão aquela horrendíssima guilhotina de qualquer fluência!... Porque o Saramago é o paraplégico que só escreve de mão parada, o Faz de Conta do pior calão judicial, o Grande Gago da Pontuação, o Galholho da Prosódia dos Coitadinhos Que Só Sabem Falar Achim, o Disléxico dos Malabarismos da Rima, o Desequilibrado do Ponto Final Parágrafo a Meio do Melhor Sentimento!... O Saramago é o Diarreia, o Incontinência, o Soltura, o Faz-Chichi-P'las-Pernas-Abaixo da Prosódia!... O Saramago é a Praga dos Sete Anos da Falta de Imaginação!... O Saramago é a menstruação do período, o dodecassílabo desvalorizado, o malfeitor das frases feitas para soarem nada!... O Saramago é o maior ladrão de ideias de Aquém e Além Mar!...
O Saramago é o Verbo Tomado pelo Cio dos Impotentes, o Ponto e Vírgula das Garotas Coxas Que Nunca Quiseram Aprender A Ler!... O Saramago é o Esgoto das Sílabas, do verbo mal conjugado, do adjectivo que lá atraiçoou a sua própria substância!... O Saramago é o Muleta Negra, o Gavião Entrevado, o Tapa Olhos e o Tira Olhos, o Arrebenta Bois, o Cana Rachada, o Caixa de Óculos, o Gaita de Foles, o Capitão Gancho, o Mãozinhas Frias, o Mana Gorda, o Vaca Louca, o Riba Fria e o Picha Mole da castração de nada lograr escrevinhar!... O Saramago até tem um buraco na testa, para poder escorrer as suas manhosas cacofonias!...

O SARAMAGO É O PROXENETA-REI DA PONTUAÇÃO!!!...
O Saramago casou com uma espanhola, e julga que por isso passou a ser mais ibérico, mas o Saramago nem sequer é português!... O Saramago é daquela velha raça de carapaus de corrida que, no tempo das fronteiras, andava a traficar bonecas na raia de Badajoz!... O Saramago é cigano de se pôr a roubar meia peseta nos antros de facadas de Algeciras!... O Saramago é daqueles para quem o dinheiro não sofre de qualquer cheiro!... O Saramago é uma alminha boa, para quem só os fins é que contam!...
O Saramago é pior do que um Torcicolo, do que uma Unha Encravada!... O Saramago é o Pontada, o Mal de São Vito, o Cirrose, da falta de digestão de qualquer página!... O Saramago é o Olha-O-Rei-vai-Nu-De-Já-Nem-Isso-Se-Poder-Sequer-Dizer!... O Saramago é o pior dos Motores Imóveis, o Biela Torta Primordial, o genuíno Roldana Lassa do aprendiz de dactilografia!... O Saramago é o requeijão indignado das vacas despojadas do seu próprio leite!...
O Saramago é o pão bolorento do Estilo, o iogurte fora de prazo, o Manteiga Rançosa da escrevinhação!... O Saramago é uma flatulência tipografada, o fotólito do ditado daquela criancita que acabou de reprovar!... O Saramago é o Pois-Sim da patetinha, que passa os dias inteirinhos a rir, toda pendurada à janela da sua casa suja!...
Eu nunca li o Saramago, nem sequer o hei-de ler, juro, muito menos agora, porque haveria de odiar tudo o que ele pensa que escreveu!... Eu antes queria desmanchar um pé do que ter de ler o Saramago!... Eu antes queria andar de rastos do que ter de soletrar o Saramago!.... Mas, quando o começar a ler, há-de ser por aquelas páginas profundas, dolorosas e sentidas, em que esta novel luminária da nossa minúscula constelação literária estiver a cantar a tristeza e a perseguição e a morte dos muitos homens e mulheres que não criaram, e não sonharam, e não puderam viver, nas trevas do hemisfério ideológico em que ainda se move, com tal graça, e presunção, o nosso enorme Saramago peninsular!... E é então que eu haverei de decorar, com solenidade e avidez, os nomes, e os outros nomes, e Todos os Nomes daqueles que foram mortos e castrados e lançados no silêncio de uma das mais monstruosas mentiras da História, e, contigo, glorioso, e contemporâneo e honesto Iago, Saramago, eu hei-de assim gritar aos sete ventos a memória de todos os artistas e pensadores e intelectuais e as muitas, muitas, mas mesmo muitas, vozes de todas aquelas gentes comuns que foram tragadas pelo terrível vórtice desse Nome da Morte, que o nosso estremunhado século acabou de conhecer!!!... Mas só nesse dia, e nessa hora, e nessa grave circunstância, é que perante ti me curvarei, e glorificarei e reconhecerei, como criador supremo e inigualável, magistral corolário de uma cultura de figuras menores, modestos camões e eças e pessoas, porque antes, eu terei de continuar a dizer aqui que tu não passas do pior Verbo de Encher, do Peso Morto e do Barriga de Freira da nossa Literatura!... Que tu não chegas aos mais baixos calcanhares daquela meia página besuntada de manteiga que a miúda gulosa esteve a esfregar com os dedos todos!... Porque não és mais do que um perneta que insiste em dançar o tango à nossa frente!... E é assim que nunca irás passar além dos cinquenta anos que durar a mentira de poderes continuar a fazer literatura à custa do teu tráfico de paixões!... Mas até lá, quanto engano, e quanta treva, e quanta melancolia...
E por isto, e por aquilo e mais aqueloutro, o Sousa Lara até fez muitíssimo bem em pôr na sarjeta o ignorante Saramago!... Porque o ar assim fica mais limpo, e o dia parece pesar menos, e até já se pode sair de casa, sem se estar à espera de que a última porcaria do Saramago nos caia em cima!... Porque o Saramago é como os pombos do cunhal, e constantemente obra, e bem, e sem nunca olhar a quem!...
O Saramago não presta, e ainda muito menos do que julga prestar o Sousa Lara, mas só porque o Sousa Lara é menino de escrever menos, e não nos consegue andar a infectar com tanta audácia!... Mas não julguem que é por isso que eu gostaria mais do Sousa Lara!... Porque sobretudo abomino nele o feroz castrado de todos os dias, o escriba das mais sinistras tertúlias do senso comum, o colunazinha tacanha do jornal da tarde, o manga de alpaca de se ter contentado com andar a fazer de palhaço de vão em vão de Estado na Secretaria Nacional da Bruteza!... Porque o Sousa Lara tem é muita dor de cotovelo do Saramago se lhe ter colado à sua reles bandeirinha triunfante de coçada propaganda política!...
Porque o Saramago e o Sousa Lara, afinal, não passam da mesma cara feia e suja de quem quer, pode e manda, no meio de uma autocrática esterqueira de Insucesso!... Porque, se calhar, o Sousa Lara e o Saramago até estão muito bem um para o outro, e nem passam do safado piolho um do outro, cada qual prantado no mais tinhoso cocuruto da Cultura da Cara e Coroa de uma moeda desvalorizada!... E é por isso, e por aquilo e aqueloutro, que o Sousa Lara e o Saramago não são mais do que um bom par de trastes!...
Porque o Sousa Lara é a laranja podre da partidocracia que quis cair em cima da manta vermelha, e rota, e à beira de extinção, do Carniceiro de Moscovo-Posta-À-Venda!... O Sousa Lara é o meia lycra que perdeu a malha no meio da festa dos embaixadores!... O Sousa Lara é o Rolha-Que-Entrou-Para-Dentro e azedou o champanhe da senhora fina!... O Sousa Lara é a fuligem, a ureia e o colesterol de qualquer liberdade de expressão!... O Sousa Lara é a sinusite crónica de todo o ano!... O Sousa Lara é a obstipação, a constipação, a contracepção, a indigestão e a congestão e o aborto do melhor negócio das farmácias!... O Sousa Lara é a parteira do aspirador de Badajoz!... O Sousa Lara é a hérnia inguinal de se ter estrangulado este menino na sua cova de nascença!... O Sousa Lara é o buraco pequenino do Coitadinho-Nasceu-Anão-Do-Mais-Apertado-Peneiro-Da-Censura!... O Sousa Lara é o Fecha-te Sésamo, de se poder continuar a pensar todos os dias!... O Sousa Lara é o sifão entupido da fortuna dos canalizadores!... O Sousa Lara é o Torniquete, o Garrote, o Forca E Meia, o Gargalo Soprado Demasiado Estreito, da proibição de sonhar com publicar qualquer besteira, de continuar a andar à solta, a fingir de romancista de sucesso, de ainda poder brincar ao reles prosador!... O Sousa Lara é o Cabeça de Abóbora do Autoritarismo!... O Sousa Lara é o Borra-Botas do Cala-Te-Senão-Vais-Para-A-Rua!... O Sousa Lara é a imunda desvergonha que o Poder tem de andar a apregoar que está roto em cima, e em baixo, e furado, até dos lados!... O Sousa Lara é a Muleta do Desconforme, com que o Partido se entretém com fazer cócegas na queixada da Cultura!... O Sousa Lara é o Homem da Régua Cheia de Bocas, posto a traçar as linhas turvas com que o Governo aqui se cose!... O Sousa Lara é o Cinquenta e Um Por Cento de Analfabetos que finalmente acabaram por tombar na cachola dos Trinta Milhões de Mortos do Estalinismo!...
E é por isso, e mais isto, e mais aquilo, e mais todas estas coisas que eu tenho para aqui entaladas na minha irritada garganta, que eu só quero que o Saramago e o Sousa Lara voltem para o seu fecal caixote!... Que deixem de se pôr na ponta dos joanetes desta Ante-Pendureza da Europa!... Que se afundem, mas silenciosa e muito discretamente, e sem continuarem nesta infrutífera via do escândalo, no pontão minúsculo desta nossa extremidade peninsular, que só deixou de já ser Cauda, porque foi decretado, por decreto-lei -- como é hábito desta corja!... -- passar a ser a Cauda da Europa um lugar hoje vazio!... E que ambos assim se afoguem, e rebentem, neste fedorento Boião do Compadrio presente, na Globalização do Mal Universal, neste fundo roto da pátria do Socialismo Metido Na Rabeta, do Liberalismo Da Livre Circulação De Defeitos E Deveres, do Ultra-Liberalismo De Já Se Poder Andar Na Rua De Pé Descalço, da Social Democracia Da Taxa Generalizada De Todos Os Santos Dias, Da Democracia Cristã Das Tias Velhas Mais Sodomíticas, Que Tanto Gostavam De Levar No Cuzinho, do Anarquismo De Odiar Tomar Banho Todas As Manhãs, do Comunismo Das Antigas Comadres De Cárcere, Que Já Não Têm Mais Nada Que Fazer E Se Continuam A Entreter Com Andar Nisto A Vida Inteira, desta Sagrada Trindade Quarta Reinante das Piores Vielas do Cavaquismo, e todos os seus passados, e presentes, e vindouros amanteigados sucedâneos políticos, cada esquina com seu banco, seu polícia, seu drogado e seu pedinte!...

Hurra, pelo Sousa Lara e pelo Saramago dominantes do mais imundo patriotismo deste generalizado futebol da droga, da prostituição e da corrupção, deste antro de toda a escravatura infantil, da miséria das boas intenções, dos pobrezinhos, mas honradamente, dos sempre em bicos de pés, do duro lugar dos livros de História, que persistem em estar cheios da nossa ausência, dos Atlas de Geografia, do rotundo Financial Times, em que continuamos a vir no anedotário das notas de rodapé, das estatísticas da prosperidade, em que insistimos em crescer três por cento de coisa alguma!...
E, assim sendo, só me falta agora mandá-los de volta para o fedor da sarjeta de onde, na verdade, eles nunca deveriam ter saído, não fosse a mim dar-me tal raiva, e muito ardor, e tanta vontade de insulto, neste grandioso dia de sol do Ano da Agitação de 1992!...
Luís Alves da Costa

Junho de 1992, mas oportunamente revisto em Outubro de 1998

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Manuela Moura Guedes enquanto último espasmo de botox do final do Regime


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Imagem do KAOS

30 de Abril de 1945: "As tropas soviéticas tomam o edificio do Reichtag, e içam a bandeira da União Soviética em Berlim. Para os russos, este é o momento mais significativo da vitória. A esta hora, a pouco mais de 500 metros deste lugar, Hitler está a almoçar, pela última vez [...] Hitler almoça com as suas duas secretárias e o cozinheiro vegetariano. O criado Erwin Jakubek, recordou mais tarde que a última refeição era constituida por esparguete com um molho leve. Hitler fez novas despedidas, tendo dito a Gertrud Junge "Agora, as coisas chegaram ao fim". As tropas russas encontram-se a 500 metros da chancelaria e do abrigo de Hitler. Eva Braun abraçou a secretária e disse por sua vez: "Muitas saudades minhas para Munique. E fique com o meu casaco de peles como recordação. Sempre gostei das pessoas que vestem bem." O coronel Otto Gunsche está de guarda junto à porta da antecâmara que conduzia aos aposentos de Hitler. Nesta altura chega Magda Goebbels, que pede para falar com Hitler. Gunsche não a consegue persuadir e bate à porta. Hitler estava de pé na saleta, e Eva Braun, estava na casa de banho. Hitler ficou aborrecido com a intromissão e diz "Já não quero voltar a falar-lhe". Otto Gunsche sai dos aposentos. Ouve-se um tiro. Martin Bormann foi o primeiro a entrar no quarto, seguido do criado Linge.

Acho que Manuela Moura Guedes, para o bem e para o mal, está no imaginário de todos nós. Nos tempos de outrora, o marido serviu brilhantemente o Poder, enquanto gestor da televisão pública. Muitas águas correram desde esse dia, e aconteceu-lhe o mesmo que às mulheres de esquina: o Tempo tornou-as marias elisas, e o degradar das condições de informação no território português, sufocado pela máquina de intoxicação e "marketing" do Agente Técnico de Engenharia José Sócrates fez-nos quase que esquecer ter havido um tempo de maiores liberdades.
De Manuela Moura Guedes relembro aquele breve interregno governamental, que teve Durão, Portas e Ferreira Leite à frente, e onde, de facto, começou a fase final do declínio português, e relembro-o por uma razão hoje quase apagada: a Manuela foi um dos rostos que mais contribuiu para a divulgação da situação de existência de uma Rede Pedófila infiltrada nos mais altos mecanismos do Estado. É verdade que não foi só ela, como poderão rememorar aqui, mas foi, enquanto memória, também ela, e isso paga-se caro, e bem caro.
Curiosamente, embora nos antípodas das minhas ansiedades políticas, senti que, por um breve instante, naquele período, parecia que a Justiça estava a funcionar, em Portugal. Segue de aqui um enorme abraço para o meu amigo, João Guerra, que nos devolveu, por momentos, a ilusão de que íamos ficar a saber, de vez, a porcaria que regia Portugal. Erros nossos, má fortuna, horror ardente.
A ingenuidade do Casal Moniz não era ingenuidade, e dizem mesmo as más línguas que o "Casa Pia" foi um excelente momento para derrubar o monopólio da Produção que a sinistra teia de Carlos Cruz detinha no setor televisivo. Como estarão lembrados, até as películas públicas tinham sido usadas por essa gente para filmar Pornografia e Pedofilia, ou seja, fomos nós que pagámos os infinitos milhões de Carlos Cruz, e Manuela Moura Guedes, com todos os seus tiques e insuficiências, foi, então, um dos corajosos rostos dessas denúncias.
Hoje, calaram a Moura Guedes, como vão calando tudo o que ameace pôr em causa o Crime que governa Portugal. É o margaridamoreirismo, em todo o seu esplendor, mas não se fica por aí, e invade todos os lugares onde a livre opinião se expressa. A nossa escala é outra, mas também já passámos por tudo o que era porcaria, infiltrados, censuras, calúnias, comentários de psicopatas, a típica figura do "troll", da mulher mal fodida, e até aquele espantoso mural, que agora antecipa "The Braganza Mothers", como sendo um potencial sítio de transmissão de vírus (!)...
É verdade: nós transmitimos o Vírus da Verdade, e isso desagrada a muita gente, desde a Maçonaria, o "Lobby" Pedófilo, as ressentidas da Opus Dei, a vérmina infiltrada, os invejosos, os dementes, e todos aqueles que, desde a Santa Inquisição, sonham com um mundo de ficções menores, em vez da pura e dura realidade, e que desconhecem existir o direito do "Outro".
A verdade é que há muito que me começou a faltar a paciência. Este texto é, evidentemente, de solidariedade para com todas as formas de Liberdade de Expressão, venham elas de setores alinhados mais à Direita ou à Esquerda, e, especificamente, dedicado a Manuela Moura Guedes: é-me totalmente indiferente, desde que essas ideias, justamente, não colidam com a possibilidade de expressão de todas as outras. Hoje, mais uma vez, presenciámos que ainda nos falta um longuíssimo caminho até à Maturidade da Opinião, coisa que criou, e tipificou, as sociedades avançadas, como, por exemplo, a Inglesa, onde é muito difícil fazer passar gato por lebre, e, quando querem que passe, dá direito a demissões ministeriais e quedas de governo, de um dia para o outro.
Como diz a fraquíssima Margarida Rebelo Pinto, "não há coincidências", e não há, e esta veio mesmo a calhar, para eu antecipar um texto que estava reservado para meados da Campanha Eleitoral: o heterónimo "Arrebenta", algures nascido nas caixas de comentários do "Expresso", onde pontificou, desde 2001, introduzindo a variedade e exuberância, e de lá corrido, em 2005, quando se atreveu a fazer campanha cerrada contra aquele horror que é Cavaco Silva, entendeu que tinha chegado ali o fim do seu tempo útil. Os seus leitores e apreciadores, entenderam o contrário, e ofereceram-lhe o Blogue Eleitoral "The Great Portuguese Disaster 1985-1995", cuja função findou com a desastrada eleição do Ogre de Boliqueime, sendo ainda hoje um um dos ossuários mais visitados da Blogosfera. Poderia ter aproveitado essa segunda deixa, mas, mais uma vez fui incentivado para avançar para o primeiro "The Braganza Mothers", que se afundou naquilo que de pior a natureza humana consegue produzir. O resto já vocês conhecem, e lá fomos sobrevivendo, no meio dos ataques, das sabotagens, dos insultos da canalha, mas sempre sustentados pela força dos nossos leitores, e dos adversários que nos respeitam como tal.
Enquanto autor do heterónimo, e a pretexto do episódio Moura Guedes, de aqui lanço um desafio e um ultimato: caso, nas Eleições de final deste mês, saia um Governo com esta aberração chamada Sócrates à frente, minoritário, amuletado pelo Bloco de Esquerda, a fazer o pino, de costas, de lado, ou pintado de ouro, não voltarei a escrever uma linha que seja. Você imagina-se a escrever num país governado por um cacique revalidado nas urnas?... Eu... não. Há limites para a paciência, e não me apetece andar a fazer de parvo para um povo que perdeu totalmente o respeito por si mesmo. Quanto a mim, há, felizmente, muitos mais lugares de diários exercícios de estilo do que andar a deitar pérolas a porcos. Enterro este meu Álvaro de Campos, e sigo para a minha paisagem de Caeiro.
Pois, talvez custe ler isto, mas é mesmo assim. Muito Boa Noite.


(Desabafo de quem anda farto desta merda de país, no "Aventar", no "A Sinistra Ministra", no "Arrebenta-SOL", no "Klandestino", no "Democracia em Portugal" e em "The Braganza Mothers")

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Na cama, e na urna, sem José Sócrates

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Imagem do KAOS e dedicado ao meu amigo Farelhão




Hoje, soube-me muito bem não ver a entrevista com José Sócrates. É como com os mortos, é melhor a gente guardar aquelas imagens de quando tudo ainda era belo, calmo e sereno, do que ficar marcado, a ferro ardente, com os últimos esgares da Morte desinteressante.
Como é público, Sócrates é das raras personagens, que, desde sempre, não me despertou qualquer tipo de piedade ou sentimento, suponho, aliás, que tenha sido o melhor dos argumentos para passar a poupar energia gasta em televisão. Em contrapartida, já tive de comprar vários telecomandos, por causa do carregar no botão do "salta-daí-depressa-que-chegou-o-aldrabão"...
A "Miss Fardas" fazia-me dar gargalhadas, e tornei-a num clássico do imaginário da Net, quando a punha a desfilar, naquela pose de Estado, à Henrique Santana, defronte dos soldados, nariz muito empinado, não fosse descair-lhe o olhar para a braguilha dos camuflados, como seria natural e saudável. Sócrates, pelo contrário, nunca me fez rir, nem no princípio, nem no meio, nem no fim: é uma mero placebo, em forma de amiba, que insistem em enfiar em fatos, que continuam a matraquear que custam muito caro, quando podiam fazer o filme com adereços de muito mais baixo custo e com a mesma tão má atuação, porque o importante, no fundo, é a imutável miséria do protagonista.
Quando o Mário Crespo, no meio da entrevista da SIC, me passou o excerto, notei que tinha havido alguns melhoramentos, é para isso que serve a cosmética, e imaginem o que seria a Bocarra Guimarães, nua, depois de ter apanhado uma valente mangueirada, que lhe tivesse feito escorrer as tintas e os corantes todos para a sarjeta. Eu sei que a imagem é chocante, mas podia acontecer: bastava que ela tivesse sido apanhada por um tufão de Grau 5, e tivesse sobrevivido, nua e crua, agarrada a uma palmeira da República Dominicana, onde o Pedro Miguel Ramos, pela primeira vez, lhe ensinou que se podia brincar aos casamentos, porque, no fundo, tudo era como os maços de cartas: acabado o jogo, bastava embaralhar, e começar do início, mais Dinis, menos Dinis.
Tudo isto para dizer que tinha havido um toque no capilar: a carapinha estava mais insuflada, o que poderá indiciar implantes, quiçá pagos pelos "Freeport", ou que apanhou do Vital Moreira o tique da frequência dos cabeleireiros de caniches. Acrescento que sei que o Cacém se está a tornar numa superpotência regional, à pala disso...
No outro dia, dizia a minha amiga Carmelinda Pereira -- que já percebeu que a Política só motiva os tristes, e se virou para o Civismo, onde o homem/mulher comum expressam as coisas simples, e elementares, que lhe vão na alma -- que adoraria ver um Governo de coligação, onde o PS, o PCP e BE programassem o que têm de melhor em si... mas sem Sócrates. Achei a ideia bonita, e até me atrevia a acrescentar, sem Sócrates, nem Alegre, por causa do bafio. Esqueceu-se a cidadã de que, uma vez chegados ao Poder, cada uma das cores políticas imediatamente exerce o que de pior tem em si, ou seja, arriscávamo-nos a apanhar com todos os sócrates que o PS, o PCP e BE lá têm escondidos dentro.
Não se esqueça de que há sempre, em qualquer covil, uma Maria de Lurdes Rodrigues que espera, na sombra, por si.
O cenário de Setembro vai ser cómico, com o Centrão separado por centésimas, e até aquela mulher esgalgada do PSD, que parece uma anémona, num gesticular de mãos, e que as pessoas adoram tratar por "Professor Marcello", suponho que no mesmo tom com que se trata, no Tintin, o Professor Tournessol, fala -- tinha de me roubar a ideia, a bicha... -- de que íamos papar 2 anos minoritários do Arenque Fumado. Seria interessante que a vitória do Arenque Fumado trouxesse uma daquelas rixas típicas dos barões do PSD e a desgraçada fosse obrigada a governar, de costas viradas para o seu partido, e com uma coligação negativa do que de pior houvesse no PS, no PCP e no BE. Sempre era uma esperança para a Ana Drago ir tutelar os aterros sanitários, a Odete Santos para a Cultura -- (esta é genuína e não é sarcástica) -- o Rosas na Administração Interna, para matar saudades das bufarias da PIDE, e aquela cadela da Isabel Alçada, que plagiou o Plano Nacional de Leitura, com a maior desfaçatez e frieza do Universo, a fingir que havia Ministro da Educação em Portugal, coisa que já não há, desde o tempo em que o Scarlatti dava lições de cravo à canhota da Maria Bárbara. Ah, sim, e o Paulo Pedroso podia ir para os Negócios Estrangeiros, para cumprir uma longa tradição, e o Constâncio até continuava, enquanto houvesse Maçonaria e Arte.
Já me esqueci do que vinha dizer... Ah, sim, já sei: parece que ficou célebre aquela parte da "voz off" da Judite de Sousa, aquando da Ferreira Leite, de maneira que perguntou à vaidosa da bicha "se ela era vaidosa", que é o equivalente a perguntar ao Pinto da Costa se comprava árbitros. É claro que seminegou e semiseesgasgou, e deu uma resposta que me encheu o coração de ternura: tinha vaidade nos filhos...
Pudera, deram trabalho a fazer, e por mais ejaculação precoce que haja, sempre obrigaram o salpicão de Vilar de Maçada a ter de penar, alguns minutos, na sua "peregrinatio ad loca infecta". O que aquilo lhe deve ter custado...


(Triângulo, só mesmo para entreter os desesperados, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL" e em "The Braganza Mothers" )

Protesto Gráfico

Protesto Gráfico
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